Nada é muito simples quando se trata da gigante Amazon e parece que a empresa resolveu mesmo impor uma revolução no mercado editorial e na forma como consumimos, publicamos e faturamos com a compra e venda de livros.

Em matéria publicada pela Revista TIME em 22 de junho de 2015 (clique aqui para ver a matéria) a jornalista Claire Groden menciona que a Amazon estaria planejando alterar a forma como os autores são pagos pelos livros.

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Inicialmente a mudança afetará apenas autores independentes que tenham seus livros disponíveis nos serviços de assinatura ou empréstimos da Amazon. Aqui no Brasil o serviço tem o nome de Kindle Unlimited.

A ideia da Amazon é remunerar os autores não por livros vendidos, mas por páginas lidas (pay-per-page). Isso sim é que eu chamo de mudança de paradigma.

A alteração na forma de pagamento aos autores favorece muito o serviço de assinatura para acesso ilimitado ao acervo, uma espécie de Netflix para livros. A teoria é simples. Pagando por página lida a Amazon naturalmente alongará o prazo de pagamento aos escritores, uma vez que o tempo de leitura influenciará diretamente no montante repassado. Com isso a empresa viabiliza assinaturas mais baixas aumentando o prazo de pagamento mantendo o prazo e recebimento. Do ponto de vista comercial tudo certo aqui.

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Mas a alteração pode criar vieses ruins para o mercado editorial. Se o serviço de assinatura para acesso ao acervo (Kindle Unlimited) pegar para valer, pode haver uma mudança natural na forma como os autores formatam seus livros. Aqui a ideia é que colocando mais imagens, gráficos ou quaisquer elementos gráficos nos livros digitais, o número de páginas lidas terá um incremento. Também terá incremento a produtividade da leitura. Com mais figuras ou gráficos os leitores lerão mais páginas em menos tempo e assim a Amazon pode se dar mal com a estratégia.

Outro ponto a ser pensado é como ficam as leituras subsequentes ou seja, se alguém ler um livro duas ou mais vezes o autor receberá novamente por página lida?

Sem dúvidas que esse tipo de remuneração daria assunto para uma excelente análise de viabilidade econômica. É bem provável que Amazon tenha feito a sua. Será que os autores terão a mesma prerrogativa? Espero que sim.

A jornalista da Revista TIME fez uma constatação interessante:

“… para a Amazon, o trabalho de um autor é apenas tão bom quanto a sua capacidade de manter a atenção dos leitores.” (GRODEN, Claire – Revista TIME 22/06/2015)

Não se sabe ainda o rumo que essa nova forma de remuneração vai tomar e nem se os autores e editoras vão concordar com isso. Mas a julgar pelas polêmicas que já envolvem a venda de livros de digitais (eBooks), podemos aguardar muito mais do que uma simples mudança de forma de pagamento.