Essa história do calote da Grécia já cansou! Não sei vocês, mas eu realmente não acredito mais que seja por acaso toda essa demora para que seja aprovado um novo empréstimo para o país.

Como tudo hoje em dia, a demora em acertar logo as condições da Grécia deixa, na minha opinião, de ser uma atitude compreensiva da união Europeia para ser transformar no maior exemplo de avacalhação financeira da Zona do Euro. Lá se foram mais de 4 meses e até a data deste post a Grécia não aceitou nada proposto e o que é pior, fez propostas indecorosas se recusando a fazer ajustes e cortar benefícios com os quais não consegue mais arcar.

Por toda essa avacalhação, acredito mesmo que tem mais coisas nesse meio. Não há como não desconfiar de que todo esse imbróglio seja para favorecer alguém ou algumas pessoas que devem estar levando muita vantagem com a demora na definição do caso grego.

Hoje, quando escrevo este post, os mercados estão em queda vertiginosa por todo o mundo e a Grécia decretou feriado bancário de 5 dias até que seja realizado um referendo para que o povo grego decida se acata ou não a proposta de ajuste do Banco Central Europeu.

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Não há como negar que se a Grécia for lançada sozinha à própria sorte as coisas tendem a piorar demais para o país. A moeda irá derreter, bancos vão a falência a inflação vai estourar e provavelmente haverá escassez generalizada de produtos de necessidades básicas. Não vejo como uma situação dessas (saída da Grécia da Zona do Euro) possa ser pior do que os ajustes reivindicados pelo Banco Central Europeu (BCE).

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Assim só resta pensar que haja algo mais nessa equação e que nós, barrados no baile, só vamos tomar conhecimento do que realmente aconteceu, quando tudo vir a constar dos livros de história de nossos filhos ou netos.

Esses movimentos, frutos do medo e da aversão ao risco com a provável quebra da Grécia, mudam a dinâmica dos mercados. Com isso ativos são desvalorizados irracionalmente, fugas massivas de capital fluem de um mercado para outro e quando isso acontece, uma certeza é clara:

Alguém está lucrando muito com essa operação ou vai lucrar muito num futuro mais próximo do que imaginamos.

Nesse contexto acredito não haver inocentes no caso grego. A união Europeia e seus dirigentes também estão jogando. Ao mesmo tempo que parecem ter medo da quebra da Grécia, conseguem arrastar a situação num teatro insano por mais de 4 meses, o que nunca ocorreu antes, pelo menos não tão às claras como agora.

A Grécia então cumpre muito bem seu papel no “teatro” financeiro. Coloca um negociador insano que tem disposição e cinismo de sobra para propor acordos nada razoáveis e por vezes até indecorosos. Nesse ponto desde a entrada do Primeiro Ministro Aléxis Tsípras, propostas que nem deveriam ser levadas a sério, “ficam na mesa” sendo analisadas por tempo demais.

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Já comentei nos perfis sociais do site que a Grécia já quebrou! Não há discussão mais. Podem renovar os empréstimos, imprimir dinheiro, implementar sanções, façam o que quiserem, mas os gregos já eram! Digo isso, pois o estrago já imposto à Grécia é de difícil solução até no longo prazo. Mesmo com empréstimos, não há nenhum horizonte que permita acreditar que mudanças estruturais possam tirar os gregos do atoleiro tão cedo.

O que interessa agora é saber até onde vai a elasticidade do tecido da União Europeia, já esgarçado pelo peso grego.