Muita gente por aí repete como maritacas tudo e mais um pouco sobre a importância do planejamento estratégico. Parece mesmo inquestionável a necessidade e relevância de bons planejamentos para as empresas, mas não acho que seja tão simples assim.

Primeiro é importante separar muito bem as coisas. Então vamos lá!

1 – Bom planejamento não significa nada.

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Chocados com a frase acima? Sei, eu sei que deve ter muita gente por aí se descabelando, mas tenham calma.

Já vi muita empresa contratar excelentes consultores, professores, empresas e todo tipo de profissional para a elaboração de planejamento estratégico. É verdade que no mercado existem pessoas altamente capacitadas nas mais diversas metodologias e ferramentas para elaboração de planejamentos estratégicos.

Infelizmente ter o melhor conhecedor também não serve para muita coisa. Afinal você pode ter um excelente documento de planejamento, muito bem formatado, impresso, elaborado dentro dos mais altos rigores técnicos e científicos, mas de que ser tudo isso?

É apenas mais um relatório que pode não dizer nada, ou pior. Pode concretizar um monte de asneira.

2 – Planejamento não é estático

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Foi-se o tempo em que premissas resistiam mais que alguns simples segundos e podem anotar aí: Não demorará muito para que resistam menos que nano segundos.

O mundo tornou-se um lugar muito dinâmico, intenso e mutante. A velocidade das mudanças não raro atropela os mercados e redefinem condutas, procedimentos, processos, tecnologias e até mesmo a postura das pessoas, suas crenças e desejos.

Num ambiente dessa forma o uso de premissas para o planejamento não pode mais estacionar ou acomodar-se. As premissas mudam todos os dias. As perguntas mudam a toda hora, mas as respostas mudam a cada segundo. Estamos agora definindo premissas para um mercado que que pode não existir mais amanhã.

3 – Não é possível prever ou determinar premissas das premissas

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É impossível cobrir todas as possibilidades que existem nos direcionamentos do mercado hoje. Se isso ou aquilo acontecerá, se haverá demanda para esse ou aquele produto ou serviço é impossível saber. O exercício de previsão e determinação de premissas só seria válido se fosse possível prever ou estabelecer a premissa da premissa.

É fácil perceber o labirinto em que se transformaria uma simples planilha com premissas de mercado, derivadas em premissas das premissas do mercado e em outras premissas para variáveis das premissas de premissas de mercado.

Confuso? Pois é! Não há como acreditar que seja possível elaborar algum planejamento assim.

4 – Planejamento não é estratégia

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Achou óbvio? Eu também, mas a verdade é que tem muita gente por aí que não enxerga dessa forma. Ter um bom planejamento não significa que você ou sua empresa tem uma boa estratégia.

Uma boa estratégia pressupõe inteligência de mercado. Vejam bem! Eu disse inteligência de mercado e não inteligência acadêmica. (Nada contra acadêmicos).

Conhecer bem as técnicas e ferramentas de planejamento de nada serve se não há uma desenvolvida inteligência de mercado. Nesse ponto quando mais relevante e densa a inteligência de mercado na empresa, maiores as chances de que as ferramentas e técnicas acadêmicas funcionem e apresentem os resultados esperados.

Somente com conhecimento profundo de mercado, conhecimento acadêmico, ousadia e motivação é possível definir estratégias de sucesso. Nada de Oceanos azuis, vermelhos ou rosas. Estratégia é muito mais complexo que isso e envolve muito mais do que meras inferências coloridas.

5 – Bem executado é melhor que bem elaborado

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Você não precisa ter o melhor planejamento nem as melhores premissas. Arrisco-me a dizer aqui que não é preciso também ter a melhor inteligência de mercado.
Se você ou sua empresa possuir a capacidade de motivar as pessoas e arrastá-las a compartilhar de suas estratégias, seu planejamento alcançará resultados impressionantes. E não repita isso como maritaca. Motivação e execução envolve pessoas e nada relevante é realizado ou criado sem pessoas.

Em resumo um bom planejamento de gaveta não faz a diferença, mas um planejamento razoável, pode nem precisar ser formalizado. O simples compartilhamento eficaz já garante algum sucesso.

Eu poderia ainda citar mais alguns itens que vem sendo tagarelados por aí e que não produzem nada senão falsas sensações de que pessoas e as empresas estão preparadas para enfrentar o futuro com seus relatórios de planejamento estratégico em mãos.

Mas me dou por satisfeito se conseguir adesão apenas dos cinco itens citados acima.

Então por favor, se ajude! Saia do lugar comum e pare de se preocupar demais com seu BSC, sua SWOT, cinco forças, cores de oceanos…

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Conheça bem seus ambientes interno, local, regional e global e se esforce para compreender as variáveis que agitam os oceanos mundo afora. Com isso certamente todos perderemos menos tempo enfeitando e colorindo velhos pavões e ganharemos conhecimento necessário para sustentar de maneira efetiva nossos negócios.

Até a próxima.