Lá se foi o grau de investimento brasileiro mais uma vez. O Brasil não fez o dever de casa e a Pátria Educadora acabou ficando de recuperação.

A Agência Fitch rebaixou hoje (16/12/2015) a classificação brasileira de risco do antigo BBB – para BB + colocando o país para fora do baile de formatura. Isso significa que de acordo com a Fitch o Brasil passa a ser considerado com grau especulativo.

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Não dá para criticar a Fitch, afinal a nota de risco é resultado da crescente e descontrolada dívida pública, do ambiente lamacento da política, da instabilidade que ronda o ministro da Fazenda Joaquim Levy e ainda da insistência do Governo em reconhecer que há necessidade de apertar o cinto para sair da crise.

Como qualquer pessoa razoavelmente equilibrada, quando se gasta mais do ganha, o razoável é adequar e reduzir os gastos, evitar excessos, compras por impulso e outras medidas.

Mas com o Governo é diferente. Quando o Governo gasta mais do que arrecada ele entra no “cheque especial”. Mas ele sempre espera que outro Governo pagará a conta e com isso vai rolando a dívida usando uma dívida para pagar outra ou aumentando os impostos para ganhar mais.

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Essa política de trocar de dívida é muito legal quando seu crédito é bom e quando as taxas de juros estão em queda. Assim, quanto mais troca-se de dívida, mais barata ela vai ficando.

O problema do Brasil é que ele vem gastando cada vez mais e se financiando com juros também mais altos a cada nova dívida (emissão de títulos da dívida).

Não é preciso ter doutorado para entender que a conta do Governo fica cada vez mais difícil de ser paga. Juros vem subindo, dólares vão saindo, real cada vez mais desvalorizado, inflação em alta, déficit público crescente…

Afinal quando mais difícil fica para o Governo honrar com suas dívidas e compromissos, mais risco existe do limite do cheque especial se esgotar. Ainda é cedo para falar de calote, mas essas coisas são assim, se não ficar esperto, quando menos se espera acontece.

Está aí o motivo da perda do rating. Tudo se deteriorando cada vez mais e o Governo querendo ainda após os 45 minutos da prorrogação, reduzir ainda mais a meta de superávit.