Todos que estiveram lendo os posts do site nesta semana devem ter percebido que estou fazendo esforço para publicar boas notícias sobre a economia brasileira.

Não perdi ainda as esperanças, mas hoje pela manhã li um artigo na revista The Economist e me senti o brigado a compartilhar um pouco do que li aqui no blog.

Infelizmente vou quebrar a promessa de publicar apenas boas notícias, pois a publicação da revista britânica não foi nada animadora.

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Vou colocar alguns trechos abaixo, não tem nenhuma novidade em termos de dados. A novidade fica por conta do tom realista e negativo a respeito do futuro perdido da economia brasileira.

Já nas primeiras linhas o artigo começa mostrando que a imagem do Brasil no exterior foi definitivamente para a lama ou par algum lugar pior.

A recessão mais longa em um século; o maior escândalo de corrupção na história; o líder mais impopular na memória viva. Estes não são os tipos de registos que o Brasil estava esperando para definir em 2016, o ano em que o Rio de Janeiro sedia primeira vez dos Jogos Olímpicos da América do Sul. Quando os jogos foram concedidos ao Brasil em 2009, Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente e com toda sua pompa, apontou orgulhosamente para a facilidade com que um Brasil crescendo tinha resistido à crise financeira global. Agora o sucessor escolhido de Lula, Dilma Rousseff, que iniciou seu segundo mandato em janeiro de 2015, preside a uma lista de calamidades sem precedentes”. (FONTE: REVISTA THE ECONOMIST – TRADUÇÃO LIVRE – GRIFOS NOSSOS)

Sobre a nossa Petrobras a revista cita:

Trinta e dois membros efetivos do Congresso, principalmente a partir da coalizão liderada pelo Partido dos Trabalhadores, de esquerda (PT), estão sob investigação por aceitar bilhões de dólares em subornos em troca de contratos superfaturados com empresa de petróleo e gás controlada pelo Estado, a Petrobras”. (FONTE: REVISTA THE ECONOMIST – TRADUÇÃO LIVRE – GRIFOS NOSSOS)

Sobre a desvantagem estratégica do Brasil no momento atual de queda nos preços das commodities, a revista menciona que será muito mais complicado enfrentar essa nova crise da economia, não tendo como se fiar nas exportações, devido à queda nos preços internacionais e desaceleração do consumo no mundo.,

“Agora os preços de commodities brasileiras, como petróleo, minério de ferro e soja caíram: um índice de commodities brasileiras compilada pelo banco Credit Suisse, mostra queda de 41% desde seu pico em 2011”. (FONTE: REVISTA THE ECONOMIST – TRADUÇÃO LIVRE – GRIFOS NOSSOS)

Sobre a dívida pública a comparação com outros países assusta e dá nova dimensão ao tamanho do déficit e do problema que o Brasil irá enfrentar para melhorar o perfil da dívida.

“Analistas do banco Barclays, esperaram a dívida alcançar 93% do PIB em 2019; entre os grandes mercados emergentes única Ucrânia e Hungria estão mais endividados. O número ainda pode parecer do lado seguro em comparação com 197% na Grécia ou 246% no Japão. Mas esses são os países ricos; O Brasil não é. Como proporção da sua riqueza dívida pública do Brasil é maior do que a do Japão e quase o dobro da Grécia”. (FONTE: REVISTA THE ECONOMIST – TRADUÇÃO LIVRE – GRIFOS NOSSOS)

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Sobre a inflação, nova crítica severa à condução das políticas econômicas pelo Governo da Presidente Dilma Roussef.

Não é possível aumentar os impostos, o governo de Dilma Rousseff pode preferir algo ainda mais preocupante para os investidores e os consumidores: a inflação. Diante da pressão inflacionária que veio com o real desvalorizado, o Banco Central realizou sua ousadia, aumentando sua taxa de referência em três pontos percentuais desde outubro de 2014 e mantendo-o em 14,25% desde julho em face da recessão. Mas, apesar desta taxa suculenta o real continua a depreciar”. (FONTE: REVISTA THE ECONOMIST – TRADUÇÃO LIVRE – GRIFOS NOSSOS)

Sobre a formação política e ideológica a revista cita a formação cada vez mais recente de funcionários públicos e juízes, o que garante um novo gás às instituições já formadas em um ambiente pós ditadura num Brasil já democrático.

A revista ressalta que o mesmo acontece com o executivo com políticos de formação internacional e também já formados/educados num Brasil democrático. Porém faz ressalva à característica ainda hereditária dos cargos. O artigo cita que ainda há muita ligação dos congressistas atuais com a velha política.

“Por isso, está agora provando, com uma velha guarda a se aposentar sendo substituída por sangue fresco frequentemente educados no exterior. Em 2013, a média de idade de um juiz foi de 45 anos de idade, o que significa que ele entrou universidade em um Brasil democrático. Os funcionários públicos estão cada vez mais jovens e mais qualificados, diz Gleisson Rubin, que dirige a Escola Nacional de Administração Pública. Mais de um quarto agora possuem uma pós-graduação, para cima de um décimo em 2002. Sérgio Moro, o juiz federal de 43 anos de idade cruzada que supervisiona as investigações da Petrobras, e Deltan Dallagnol, promotor-chefe do caso com 35 anos, são os rostos mais famosos desta nova geração. Infelizmente, esse rejuvenescimento não se estende para a instituição que mais necessitam dele: O Congresso. Seus rostos mais jovens normalmente têm laços familiares com a velha guarda”. (FONTE: REVISTA THE ECONOMIST – TRADUÇÃO LIVRE – GRIFOS NOSSOS)

E ainda há menções nada honrosas ao Deputado Eduardo Cunha, PMDB, Michel Temer, Lula, Dilma e também sobre as perspectivas de inflação e demais indicadores econômicos para os anos que teremos pela frente.

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Dado que estamos apenas no início do segundo mandato da Presidente Dilma e que ainda teremos muita pressão política, pré e pós eleições para Estados e Municípios, é de se esperar que o ambiente político se deteriore ainda mais.

Fica impossível acreditar que haverá margem para que a Presidente faça qualquer reforma ou que possa minimamente reconduzir a política econômica pelo menos nos próximos 2 anos.

Enquanto fica fácil prever dificuldades, é tarefa quase impossível imaginar como será possível sair dessa armadilha até o fim do Governo Dilma.

Que Deus nos ajude!

Aos interessados, o artigo completo publicado na Revista The Economist pode ser lido no Link abaixo:

Artigo Completo