O mercado financeiro brasileiro foi contaminado pelo vírus chinês ontem. O resultado é que o dólar voltou a subir a bolsa fechou em queda no limite dos 42000 pontos.

E não demorou muito para um monte de gente por aí sair em defesa da alta do dólar dizendo que é bom para as exportações e para a balança comercial brasileira. Longe de mim descordar dessas afirmações, mas é preciso fazer alguns parênteses para não ficarmos iludidos com o atual momento econômico do Brasil.

Vamos então aos parênteses!

A Economia brasileira tem se mostrado cada vez menos dinâmica. Setores antes líderes agora estão no atoleiro da corrupção ou sofrendo com queda nos preços internacionais e desaceleração da China. Vale e Petrobras, antes os “campeões” nacionais estão nessa lista.

petrobras

vale

Não bastasse a inércia da indústria brasileira como um tudo, temos ainda uma deterioração nas contas públicas que deixa o Governo sem controle da política monetária e refém de aumentos cada vez maiores nas taxas de juros.

O Brasil perdeu o grau de investimento no exato momento que o FED (Banco Central Americano) decide aumentar os juros por lá. O Resultado é que o Ativo mais seguro (Títulos dos EUA) passou a remunerar melhor e com isso o Brasil terá que subir ainda mais os juros para manter o mínimo de fluxo de capitais para o país.

fed

Aí voltamos ao caso da balança comercial. Seria realmente ótimo substituir importações e com isso fazer superávits na balança comercial.

Mas essa, nem de longe é a realidade brasileira. Nossa indústria é arcaica, atrasada e sofre com políticas econômicas que desestimulam a inovação e o investimento privado. A logística brasileira é uma verdadeira piada, ineficiente e cada vez mais dependente de incentivos fiscais e intervenções do Governo para se permanecer minimamente viável.

O reflexo dessas e de outras tantas incoerências econômicas brasileiras é que estamos prestes a involuir dois séculos em termos de ambiente econômico.

O filme é novo, mas roteiro e os atores são os mesmos. Inflação acima de dois dígitos, investimento privado em queda, industrialização atrasada e com foco e produtos básicos de pouco valor agregado, juros nas alturas, risco de calote na dívida pública, reservas sendo consumidas até a exaustão, necessidade de financiamento externo – China provavelmente ou quem sabe até mesmo FMI?

E não estranhem se aparecer alguém querendo ressuscitar o fusca como protagonista da substituição de importações.

Volkswagen-Fusca-produção-002

Como não dá para mudar mais o roteiro, nem os atores e muito menos o filme…. Resta apenas torcer para que possamos gravar a continuação e que ela seja um novo Despertar da Força!

Enquanto isso vá pensando em ter alguma reserva de dólares em casa muito bem guardada, porque você pode precisar.