O Brasil perdeu mesmo a referência do dinheiro.

Não estranhem iniciar o post com um comentário desses, mas é que as vezes não tem como ser menos direto.

Ontem casualmente estava à frente da TV onde passava a novela: A Regra do Jogo. Ao mesmo tempo ia interagindo nas redes sociais. Mas a trama da novela que estava sendo exibida na Globo acabou me fisgando.

Acontece nas melhores famílias rsrsrs.

Mas o improvável aconteceu. Não é que a novela tem um roteiro bem razoável! É necessário a ressalva de que os roteiristas ou escritores de novela brasileiros tem uma tendência por situações esdrúxulas e sem nexo, mas mesmo assim a trama continua interessante.

Mas eu não estou aqui para falar de roteiro de novela.

Um diálogo no episódio me chamou muita a atenção. A certa altura um dos personagens com nome de Orlando, sequestrou um empresário que também é chefe de uma organização criminosa na trama.

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O espanto veio a seguir quando o sequestrador fez o telefonema para solicitar o resgate.

E não é que o cidadão pediu nada menos do que US$ 30 milhões!

TRINTA MILHÕES DE DÓLARES!

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Achei alto demais e para meus padrões de classe média um valor inimaginável.

Não creio que o escritor da novela tenha exagerado, meu parâmetro de classe média é que modesto mesmo. Afinal após os escândalos de corrupção por aqui terem rompido a barreira do bilhão…

O que são modestos US$ 30 Milhões de dólares, não é mesmo?

Sempre considerei as novelas brasileiras como sendo um retrato muito interessante da realidade nacional, evidentemente levando em conta todas as ressalvas e licenças poéticas. Mas parece que atualmente a ordem das coisas se alterou.

Os US$ 30 milhões de dólares da ficção, devem servir de deboche nos cafezinhos e reuniões onde alta cúpula que comanda e saqueia o país se reúne. Ou como diria um amigo:

“Não passa de troco de balas”.

É difícil aceitar, mas parece que nos dias atuais nem a imaginação e criatividade dos escritores de novelas brasileiras, tem conseguido superar o atual estágio de surrealismo que se tornou a corrupção no país.

Não tem problema, afinal hoje tem novela outra vez.

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Enquanto os escritores não ousarem retratar a ficção que se tornou a nossa realidade, teremos doses diárias de bom senso e algum parâmetro para continuar a considerar surreal os números da corrupção no Brasil.