Alguns fatos que ocorrem no mercado de tecnologia e startups as vezes parecem não fazer o menor sentido em termos que abordagem comercial e financeira. Um caso recente me chamou a atenção. O anúncio feito aos usuários do Whatsapp informando que o aplicativo extinguirá a cobrança anual para uso do aplicativo.

Por si só a cobrança que era cobrada até então, já deixava dúvidas sobre o modelo de negócios do aplicativo. Afinal US$0,99 por ano é algo que intriga, tendo em vista toda estrutura necessária para criação, atualização e inovação do aplicativo.

Mas eis que agora o aplicativo passa a ser 100% gratuito! Como explicar isso em termos financeiros? Onde estaria viabilidade que instigou o Facebook a adquirir o aplicativo?

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Segundo informações divulgadas pelo CEO da empresa, Jan Koum, parece que o aplicativo vai mirar em serviços para empresas.

Rumores e especulações dizem que o aplicativo facilitará a comunicação de empresas com seus clientes e também a disseminação de propagandas. Nada ainda foi confirmado e a informação de que o aplicativo não terá anúncios embutidos, não coloca ponto final na discussão. Há ainda a brecha para que os anúncios sejam publicados via perfis empresariais e dessa forma, eles serão enviados e recebidos como mensagens normais.

Resta saber como a empresa lidará com a questão. Se a adesão aos perfis das empresas será voluntária, ou se haverá alguma venda ou compartilhamento de informações dos usuários para facilitar o uso como mídia às empresas.

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Uma medida que certamente deverá ser disponibilizada para empresas é a possibilidade de criação de grupos de distribuição de mensagens com número maior de pessoas. Isso possibilitaria algo como se fosse uma reedição das listas de e-mail e pode ser bem interessante como mídia, tendo em vista a penetração que o aplicativo possui.

Os desafios são enormes, pois é preciso rentabilizar o Whatsapp, mas evitar que o uso comercial prejudique a funcionalidade do aplicativo. Questões como direitos para uso de informação de cadastro de usuários também pode ser um problema grande a resolver. E como se não bastasse a imensa dificuldade em rentabilizar o whatsapp, ainda tem o risco grande do Governo implementar a mesma tarifa das empresas de telefonia para a operação do aplicativo no Brasil.

Aí será um Deus nos acuda!

Cada mudança de pedras no tabuleiro de xadrez transforma a viabilidade que já não está nada fácil. Com essa característica comum a muito aplicativo e startup que possuem excelente negócios pouco rentabilizáveis, o facebook pode passar por um ano complicado como empresa.

É cedo ainda para dizer, mas o mercado parece já começar a precificar a dificuldade do Facebook em rentabilizar o negócio como um todo. Reflexo disso é facilmente no preço da ação em 2016 que está em forte queda, mesmo com a economia americana em recuperação.

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Enquanto fica difícil prever qual será o modelo de negócios do Whatsapp para financiar toda estrutura e gerar retorno aos acionistas da companhia, é fácil entender que quanto mais o tempo vai passando, mais complicada vai ficando a vida de empresas intensivas em tecnologia como o Facebook.

A festa da abertura de capital, pelo menos para facebook, que vem apresentando crescimento desde o IPO (oferta inicial de ações), pode estar com os dias contados. Muitos já questionam o modelo comercial da companhia e agora com essa decisão sobre a gratuidade do Whatsapp a cobrança deve aumentar.

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Nada demais, mas para Mark Zuckemberg 2016 ainda é um ano em aberto. Os passos tomados pela companhia ao longo do ano, mostrarão a direção da empresa