Ontem lendo as gravações do Ministro da Educação Aloizio Mercadante, um trecho em especial me chamou a atenção. Em certa altura da gravação, o Ministro Mercadante menciona que o Senador Delcídio do Amaral estaria sendo pressionado pela família a fazer o acordo de delação.

A pressão seria devido à situação financeira do Senador, que segundo declarado nas gravações teria até mesmo empréstimo consignado sendo descontado do salário de senador.

Abaixo o trecho da gravação. A parte do empréstimo consignado inicia em 16:40.

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Se preferir leia a transcrição do trecho em que Mercadante cita que o Senador Delcídio do Amaral teria empréstimo consignado.

[toggle title=”Trancrição gravação Mercadante” load=”hide”]Ajuda financeira

“Veja o que eu posso ajudar”

Ciente de que a família de Delcídio pressionava o senador a fechar um acordo de delação premiada, Mercadante diz a Marzagão estar disposto a forjar uma agenda oficial, como ministro da Educação, para visitar a esposa e as duas filhas do petista. Informado de que elas enfrentavam dificuldades financeiras, não hesita em prometer uma providencial ajuda em dinheiro, para pagar os custos com os advogados, ressalta.

AM – É o seguinte, eu me disponho, já te falei isso reservadamente, eu faço uma agenda no Mato Grosso do Sul, eu tenho que ir visitar uma universidade, um instituto… eu falo Maika, eu quero passar aí …da outra vez ela fez um jantar pra mim… quando eu fui lá fazer uma agenda e ela fez um jantar na casa. Então, ó eu gostaria de passar aí, lhe dar um abraço e tal, se tiver espaço.

JEM – Só pra você ter uma ideia, eles estão vendendo a casa.

AM – Pra não ficar expostos.

JEM – Não, até pra…

AM – Arrecadar dinheiro.

JEM – Arrecadar dinheiro. Os carros, a casa. A fazenda, porque é da mãe e do irmão, então lá não vai mexer. Aliás, o irmão tá vindo aí pra tratar desses assuntos. Assuntos financeiros mesmo.

AM – Patrimônio da família.

JEM – Patrimônio, as dívidas que ele tem. Pra você ter uma ideia da situação dele, o salário dele tem consignado. O salário do Delcídio tem empréstimo consignado, que ele está pagando.

AM – Bom, isso aí também a gente pode ver no que é que a gente pode ajudar, na coisa de advogado, essa coisa. Não sei. Pô, Marzagão, você tem que dizer no que é que eu possa ajudar. Eu só to aqui pra ajudar. Veja o que que eu posso ajudar.[/toggle]

É aqui que faço o alerta!

Se você está em dificuldades financeiras ou se você precisa de um dinheiro extra cuidado com o consignado.

Os juros são menores que empréstimos comuns, mas continuam sendo juros. As concentrações dos juros oferecidos por instituições privadas variam de 1,67% ao mês até 6,2%. Abaixo mostro que a grande maioria das instituições bancárias ou financeiras oferecem juros entre 1,67% até 4,1%.

bancos-faixa-juros-consignado

É importante, nesse momento, evitar qualquer financiamento. Com a inflação em alta e apresentando números com dois dígitos é preciso tomar cuidado. Isso porque seu dinheiro vale cada vez menos e empréstimos adicionam gastos que aumentam o custo do seu dinheiro.

Se você precisa por exemplo de R$1.000,00 e pega um empréstimo, isso custará além dos R$1.000,00 mais os juros que dependerão da taxa e do prazo. Está aí o custo do dinheiro.

O que enrola ainda mais, é que o custo do dinheiro não é apenas o custo dos juros do empréstimo. Temos ainda a inflação que também reduz nosso poder de compra e age junto com os juros para nos tirar renda.

Temos então dois efeitos:

1 – Quando pegamos um empréstimo. Temos que pagar o custo do empréstimo, que chamamos de juros;

2 – Pagamos também a desvalorização do dinheiro que vai valendo menos de acordo com a inflação. Chamamos isso de poder de compra. Quanto mais inflação, menos poder de compra, ou seja, menos vale seu dinheiro.

Assim contando que quando pegamos empréstimos, pagamos juros mais inflação, temos que quando mais endividados, mais poder de compra perdemos. Simulando o custo do nosso dinheiro medido pela perda do poder compra (desconto da inflação pelo IPCA), com o custo do empréstimo consignado (juros médios) temos uma perda em torno dos 4,5% do nosso poder de compra.

Fonte: Banco Central do Brasil e IPEA Data

Fonte: Banco Central do Brasil e IPEA Data

Se fosse apenas a inflação, perderíamos em média algo em torno de 1% (Média IPCA).

Fique de olho no seu poder de compra e ajuste seu perfil de gasto para que não precise de empréstimos, seja qual categoria de empréstimo for. Pagar juros num ambiente de inflação em alta é arriscado e não raro nos leva a situações financeiras insustentáveis.

De tudo, se for inevitável pegar empréstimo, faça as contas e tenha em mente que a saída é aumentar sua renda quando você toma empréstimos o efeito é contrário.

Fique alerta para as ilusões monetárias. Empréstimos não são renda são gastos que agem reduzindo perversamente o seu poder de compra.

E se tudo der errado, leia nosso post sobre medidas não convencionais para tempos de crise financeira no link abaixo.

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