O boato de que o ex Presidente Lula irá assumir um Ministério no Governo coloca a política brasileira num momento inédito e histórico. Pela primeira vez em toda a história, vamos ter alterado a forma de Governo sem que isso passe por qualquer rito democrático, legislativo, jurídico ou popular.

Não estranhem o parágrafo acima. Afinal quem aí ainda acredita que Lula, retornando ao Governo, não terá plenos poderes para fazer o que bem entender?

Eu não duvido.

É notória a dependência da Presidente Dilma em relação ao partido e por consequência, em relação aos seus líderes. Lula é caso à parte. Afinal foi ele quem endossou e conduziu Dilma à Presidência.

Se for conduzido a algum ministério, veremos Lula com poderes semelhantes àqueles dos Primeiros Ministros nos sistemas parlamentaristas. Mais um golpe do jeitinho brasileiro.

Lula será um Super Ministro. Dilma “Reinará, mas não governará”. Em relação à Presidente Dilma, nenhuma novidade, afinal ela já não governa o Brasil há tempos, rsrs.

Mazelas à parte, vamos ao que interessa. Presidente novo na área, ou Super Ministro na área, o que preocupa mesmo, é o que isso pode interferir na vidinha nossa de cada dia.

Segundo já declarado pelo próprio Lula, ele teria a missão de reorientar a economia recolocando a engrenagem para funcionar novamente e retirando o Brasil do atoleiro em que se encontra.

Imagem: The Economist

Imagem: The Economist

Todos devem concordar que é uma missão nobre. Até aqui tudo certo, afora toda a zona política e corrupção, se fosse para arrumar a casa, eu até nem questionaria os métodos. Afinal saímos de um crescimento de 3% em 2002, para um encolhimento de -3% estimado para 2015 e 4% para 2016.

Gráfico: The Economist Intelligence Unit

Gráfico: The Economist Intelligence Unit

Mas por de trás da missão do ex Presidente Lula, não temos como prioridade acertar nada na economia, muito menos na política.

O objetivo é preservar o ativo político do PT. Preservar a imagem de Lula, Dilma e afins de que foram eles que arrumaram o Brasil e retiraram não sei quantas pessoas da classe X para a classe Y, que aumentaram a renda em X%, que deram barraco próprio, ops – casa própria para X mil pessoas.

Essa política que tem por objetivo transferência de renda e aumento dos gastos do Governo, pode muito bem ser eficaz, mas ela não serve para todo momento.

Hoje o Brasil tem endividamento galopante que mesclado com perda do grau de investimento, transforma a economia e a política fiscal e monetária numa bomba relógio.

Gráfico: Valor Econômico

Gráfico: Valor Econômico

É difícil saber o que virá pela frente, mas ouvir, mesmo que por boato, que o Governo quer retomar esses direcionamentos econômicos, já mostra que o futuro pode ser bem pior do que se imaginou.

Já tem analista prevendo risco de calote, inflação galopante, desvalorização ainda maior do real… Enfim um pesadelo econômico. Para nós que sofremos a consequência da incompetência e prevaricação política, o recado é claro:

Não faça dívidas, adote hábitos simples e baratos, pesquise preços e se possível aplique em renda fixa. Mas ao aplicar fique de olho, porque da noite para o dia sabe-se lá qual a nova criatividade econômica que o governo vai inventar.

O último a sair apague a luz por favor!