O ambiente hostil da economia brasileira vem fazendo suas vítimas. Algumas foram “alvejadas” pelas operações da Polícia Federal, como as construtoras, incorporadoras e empreiteiras que por muitos anos tiveram contratos firmados com setor público à base de propinas e esquemas ilícitos.

Tivemos ainda a Petrobras que no esteio da Operação Lava Jato, protagonizou o que pode ser o maior escândalo de corrupção já visto. Isso refletiu na completa avacalhação da gestão da empresa, de sua política de investimentos que culminou até em atrasos na publicação de balanços e demais demonstrativos financeiros.

Para uma empresa como a Petrobras, o ambiente político conturbado junto com os escândalos de corrupção e incertezas pela não publicação de informações, fizeram as ações da empresa derreterem no mercado. Não obstante, a empresa enfrenta uma séria dificuldade de caixa e vende ativos para tapar parte do buraco deixado pelos desvios, incompetência e corrupções.

Gráfico via: ADVFN

Gráfico via: ADVFN

Todo o setor de ferro e aço vem sofrendo com desaceleração do comércio pelo mundo, mais intensamente por parte da China, que também causou efeitos nocivos no desempenho dessas empresas no mercado.

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Mas o estrago está longe de se limitar ás ações ou a um grupo restrito de empresas brasileiras. A sequência de resultados negativos somada com a queda na demanda mundial e interna, fez com que a indústria no geral demitisse em um ano mais de 700 mil pessoas.

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Com as demissões e retração no mercado consumidor interno e externo, a ociosidade na indústria atingiu níveis recordes até agora em 2016, como podemos ver no gráfico divulgado pela CNI

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Gráfico via: CNI

O reflexo?

As diversas instâncias de governo (União, Estados e Municípios) enfrentam graves crises em seus balanços. A União já anunciou ontem proposta para meta (sic) de 170 bilhões de déficit.

O Rio de Janeiro anunciou mais um calote. Depois de não pagar os salários de funcionários públicos aposentados e parcelar os da ativa, o Governo do Rio anunciou o calote na dívida externa no Estado.

A conta é perversa. Afinal a crise colocou um pesado freio no setor produtivo. Isso derreteu a arrecadação em todos os níveis de governo e agora, não há planejamento que resolva a situação. É muito provável que tenhamos um calote nos Estados e Municípios.

Já para o Governo Federal o que veremos é uma piora nos termos da dívida. A rolagem dos títulos tende a acontecer com taxas de juros maiores, o que aumenta e muito a necessidade de ajustes severos nos gastos públicos, sobre pena de num futuro muito próximo o país se tornar insolvente.

Neste contexto seria bom vermos algo mais concreto além de aprovação de uma meta que na verdade é um salvo conduto fiscal.