A imagem deste post, bem que poderia retratar o ambiente político brasileiro: atrasado, retrógrado e preso a vícios históricos onde a moral é dada de acordo com a conveniência de quem está no poder.

A anulação do processo de impeachment pelo recém empossado Presidente Interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão levanta suspeitas de que a liminar que afastou Eduardo Cunha, tenha sido uma manobra, executada pelo STF aparelhado pelo Governo Petista.

Tal manobra faz sentido no ponto em que o Deputado Waldir Maranhão, já possa ter sido corrompido, assumindo a missão de enterrar o processo de impeachment antes da votação no Senado.

Essas são deduções e desconfianças apenas! Mas encontram uma coerência relevante dados os fatos e os vícios históricos dos donos do poder no Brasil.

Nesse contexto de desconfiança, difícil constatar que estamos estacionados na história. Lendo o livro A Poeira da Glória, hoje durante o almoço, me deparei com um trecho de um dos Sermões do Padre Antônio Vieira.

Padre_António_Vieira

A ligação do estágio atual com o Brasil ainda no século XVII é triste e inevitável. Para não me alongar demais, deixo abaixo o trecho do sermão para que tirem as próprias conclusões.

“Sabei, cristãos, sabei, príncipe, sabei, ministros, que se vos há de pedir estreita conta do que fizestes, mas muito mais estreita do que deixastes de fazer. Pelo que fizeram, se hão de condenar muitos; pelo que não fizeram, todos […]. Por uma omissão, perde-se uma maré, por uma maré, perde-se uma viagem, por uma viagem, perde-se uma armada, por uma armada, perde-se um estado. Dai conta a Deus de uma Índia, dai conta a Deus de um Brasil, por uma omissão. Por uma omissão, perde-se um aviso, por um aviso, perde-se uma ocasião, por uma ocasião, perde-se um negócio, por um negócio, perde-se um reino. Dai conta a Deus de tantas casas, dai conta a Deus de tantas vidas, dai conta a Deus de tantas fazendas, dai conta a Deus de tantas honras, por uma omissão. […] Oh! que arriscada salvação! Oh! que arriscado ofício é o dos príncipes e o dos ministros! Está o príncipe, está o ministro divertido, sem fazer má obra, sem dizer má palavra, sem ter mau nem bom pensamento, e talvez naquela mesma hora, por culpa de uma omissão, está cometendo maiores danos, maiores estragos, maiores destruições, que todos os malfeitores do mundo em muitos anos. O salteador na charneca com um tiro mata um homem; o príncipe e o ministro com uma omissão matam de um golpe uma monarquia. Estes são os escrúpulos de que se não faz nenhum escrúpulo; por isso mesmo são as omissões os mais perigosos de todos os pecados.”

(Padre Antônio Vieira, Sermão da Primeira Dominga do Advento, in Martim Vasques da Cunha. “A poeira da glória.” Record, 2015-01-01T02:00:00+00:00. iBooks.)