Almoçar em restaurante self service no Brasil é um excelente exercício para testar quão alerta estamos para os vieses cognitivos e comportamentais. A criatividade mercadológica dessas empresas, que cresceram exponencialmente no Brasil nas últimas duas décadas, não cansa de induzir clientes a escolhas que deslocam o bem-estar a favor do dono do restaurante, é claro.

self service ow no

Essa ideia me passou pela cabeça ao passar pela balança implacável de um self service aqui na minha cidade. Após servir meu prato nas gondolas de convencionais me deparei com uma bancada onde se encontravam uma série de pratos da cozinha japonesa.

Foi então que resolvi selecionar cinco pedaços de rolinho primavera. Coloquei naturalmente no prato e me dirigi para a balança. Qual foi minha surpresa ao ser interpelado por um funcionário dizendo que eu deveria retirar os rolinhos do prato, pois os mesmos eram cobrados à parte.

self service rolinho primavera

Não relutei, afinal estava mesmo decidido a comer os rolinhos primavera. Num instante de menos de um 1 segundo, avaliei mentalmente que o peso por quilo não poderia ser muito mais caro do que o preço da culinária brasileira normal. Relaxei e me permiti essa pequena extravagância, afinal estava almoçando com minha esposa na ocasião.

Após pegar a comanda e me sentar foi que veio a surpresa nada agradável.

Avistei ao longe, fora de contexto e na área destinada aos pratos de culinária brasileira, que o valor da comida japonesa não era precificado por peso, mas sim por peça. A partir deste ponto não consegui mais parar de fazer conta.

self service dia de furia

Paguei pelo almoço algo em torno de R$19,30 e meu prato ao todo sem os malditos rolinhos primavera, pesou 450 gramas e fazendo as contas temos o preço por quilo a R$42,90. Já os rolinhos que sem exagero deveriam pesar no máximo 80 gramas foram cobrados a um preço de R$1,20 cada um. Como peguei cinco unidades paguei por eles, além do prato normal, R$6,00.

É fácil ver que o preço por quilo, da comida japonesa, foi de R$75,00. Vamos ver a conta?

self service formula 01

self service formula 02

Isso mesmo! Pasmem!

Acabei pagando R$75,00 pelo quilo da comida japonesa. Nem preciso dizer que os rolinhos desceram meio quadrados pela minha garganta. Mas não havia nada a fazer a não ser pensar em devolvê-los. Foi aí que para evitar certo constrangimento da minha esposa, decidi arcar com todo o prejuízo. Mas nem tudo foi perdido. O prejuízo poderia ter sido ainda pior.

O funcionário do self service que me abordou e pediu para retirar os rolinhos do meu prato me fez economizar R$3,43. Uma bela economia de 13,55%. Isso porque se não retirasse os rolinhos, eu pagaria mais 80 gramas no peso do prato além do valor fixo por cada rolinho. Em suma, pagaria duas vezes pelos rolinhos.

Confesso que essa abordagem não havia processado no momento. No intuito de aliviar meu estresse na refeição, minha esposa, olhando o lado bom das coisas, veio com essa informação.

self service bad decisions

Por fim ainda saí com uma sensação de minimização de perdas no almoço. Nada como um almoço despretensioso numa quarta-feira para aguçar o raciocínio econômico e colocar e alerta os vieses cognitivos comportamentais.