Nas últimas semanas me deparei com um caso que me chamou muito a atenção: aumento de casos de roubo de celular. Várias pessoas que conheço relataram a tentativa ou roubo efetivo de seus celulares. Não pude então evitar o exercício paranoico e passei a pensar em todo tipo de artifício para me deixar mais seguro ao usar o celular na rua ou locais públicos.

As primeiras reações para a mudança em meus hábitos foram quase que imediatas. Vou listar algumas delas:

1 – Passei a usar os fones de ouvido com maior frequência.
Um exercício para colocar um obstáculo e uma dúvida nos ladrões. O obstáculo é que o celular está no bolso, sendo mais difícil de roubar que estando na mão. A dúvida é que o ladrão não sabe o modelo que uso e isso pode reduzir o estímulo para ele me roubar.

2 – Coloquei o celular no modo silencioso.
Em locais perigosos, evito que o som chame a atenção para o aparelho que tenho. Claro que tem efeito limitado, afinal hoje em dia o ladrão sabe muito bem que todos têm celular. Mas de qualquer forma ele acaba caindo o item 1 acima. Sabe que tenho, mas não sabe qual modelo e essa dúvida, espero, pode reduzir o estímulo a me roubar.

3 – Acionei todos os dispositivos tidos como preventivos e antirroubo.
E foi neste ponto que percebi que não existem estímulos eficazes que façam ladrões perderem o interesse no roubo. Explico a seguir.

roubo de celular

Gráfico by: Estadão

São muitas as soluções oferecidas pelos fabricantes de aparelhos para nos oferecer mais segurança e evitar que sejamos roubados. A grande maioria delas, no entanto, apenas criam mecanismos que servem apenas para tentar recuperar um celular roubado e não para desestimular ou premir os roubos.

Dentre as opções, a única que aparentemente pode ser efetiva é o bloqueio do IMEI do aparelho. IMEI é como se fosse o número do chassi do celular. Uma vez bloqueado na operadora, não é mais possível habilitar o aparelho para qualquer uso.

Apesar de ter minhas dúvidas sobre se o bloqueio de IMEI é mesmo efetivo, considero esse um bom mecanismo de desestímulo ao roubo. Sabendo que o roubo pode não resultar em algum benefício, venda do celular, o ladrão simplesmente pode optar por roubar outra coisa.

Neste ponto acho que as fabricantes deveriam informar melhor os consumidores. Afinal quem aqui sabe ou tem guardado em algum lugar o número de IMEI do seu aparelho celular? Claro que fui correndo anotar o meu depois de escrever este parágrafo.

Sabendo que o aparelho perde sua utilidade principal, certamente que o ladrão receberia um belo desestímulo a roubar.

Mas sou cético em relação à sensibilidade criminosa nesse caso por dois motivos. O primeiro é que sempre é possível fazer o desmanche e vendar as peças no mercado negro de manutenções. O segundo, não posso provar, mas tenho fortes indícios de que é possível clonar o IMEI.

Uma busca simples e rápida na internet é possível encontrar serviços como este da imagem abaixo:

roubo de celular imei

Não sei se funciona, afinal não tenho costume de roubar celulares nem intimidade suficiente com algum ladrão para perguntar rsrsrs.

Na incerteza se funciona ou não, é possível fazer o desmanche. E este pode ser um excelente negócio. Pense um pouco.

Quantas pessoas conhece que já tiveram as telas quebras? E os botões que pararam de funcionar? Tem ainda, baterias que perdem a efetividade, revestimentos desgastados e por aí vai.

roubo de celular tela quebrada

Reparo de aparelhos celulares podem ser tão caros que agem para nos estimular a comprar novos aparelhos em vez de arrumar. Isso é regra básica em muitos mercados. Quem por exemplo tem um iPhone da Apple pode ter que pagar até 70% do valor de um aparelho novo para trocar a tela.

É fácil ver que existe um mercado bem promissor para peças roubadas de baixo custo. Isso age como estímulo para que celulares continuem a serem roubados, mesmo que para desmanche.

Todos sabem que é possível clonar carros. Esse crime ficou bem conhecido na década de 1990 aqui no Brasil. Como os sistemas não eram informatizados e como em 98% (estatística de chute por minha conta) das blitz, a polícia verifica apenas documento e placa do veículo… O chassi do carro tanto faz!

É possível clonar um carro e ainda passar por inspeções e blitz da polícia. Veja bem, não estou incentivando a clonagem de carros hein! Apenas constatando ser razoavelmente simples clonar um veículo.

Como o celular acho que pode ser o mesmo. É uma pena que ainda não tenha conseguido encontrar ninguém que valide minha hipótese. No entanto penso ser mesmo possível. Por hora, enquanto ninguém confirma ou refuta minha tese, essa hipótese vai ficar aqui como mera especulação.

Mas não haveria motivo de escrever esse post apenas para aumentar a autoestima dos ladrões e seus incentivos a roubarem cada vez mais celulares. Então para evitar a audiência apenas dos leitores fora da curva jurídica moral, decidi fazer uma lista de recomendações para os fabricantes de celular ou smartphones deixarem seus aparelhos menos atraentes aos bandidos.

Segue a lista:

1 – Desabilitar todas as funções do celular quando estiver bloqueado por senha
É razoavelmente óbvio que localizadores de celular só funcionam para ladrões bem desatentos. Afinal ao acessar a tela bloqueada do aparelho é possível colocar o mesmo em modo avião. Com isso há 100% de eficácia em neutralizar a ação do localizador. Sem sinal o celular não há como ser rastreado.

2 – Separar o sistema operacional do sistema de gerenciamento de senha.
O desbloqueio de celular é tão simples que pode ser feito até por crianças como mínimo conhecimento de YouTube para acessar os vídeos. Separara os sistemas, criando um mecanismo que impeça acesso ao armazenamento da senha resolveria esse problema.

3 – Baratear o preço das manutenções
Se desestimularmos o mercado negro de peças teremos um excelente mecanismo para incentivar a substituição. Os ladrões vendo a receita com a venda de peças caírem, certamente procurariam outra coisa para roubar.

4 – Exigir senha para desabilitar as funções de rede
Criar senhas que evitem desabilitar as redes móveis ou wi-fi. Isso tornaria mais efetiva a localização do celular roubado, pois permitiria o pleno funcionamento do aplicativo de localização.

5 – Solicitar registro do aparelho online
Obrigar todos os usuários a se registrar online já é prática. Porém é possível empoderar os proprietários de celulares ou smartphones reforçando a importância de guardarem o número do IMEI. Apesar de falho, na minha opinião, já seria uma dificuldade a mais. Isso tenderia a aumentar os custos dos ladrões para recolocar transformar o produto do roubo em dinheiro.

6 – Aumentar a fiscalização em empresas de manutenção de celulares
Não é simples eu sei, ainda mais no Brasil. Mas aumentando a fiscalização, os proprietários de empresas de manutenção teriam que comprovar a origem das peças e isso não seria possível no caso de peças roubadas.

7 – Liberem a patente das peças
Isso incentivaria novos fabricantes a entrarem no mercado aumentando a oferta de peças e barateando ao mesmo tempo. Para isso, é claro, a fabricante teria que ser homologada.

Acho que eram essas as minhas ideias para reduzir os roubos ou pelo menos o interesse dos ladrões em roubar o nosso celular.

E você? Tem alguma sugestão criativa diferente dessas que escrevi aqui? Mande para gente, vamos adorar saber!

Até o próximo post! Boa sorte e cuidado ao usar o celular! Afinal ainda há um sistema de incentivos bem generosos aos ladrões e eles podem roubar o seu enquanto você lê esse post enorme por aí.