Os últimos acontecimentos me entristeceram de um tanto que resolvi, após um bom tempo, sair de casa e ir curtir uma balada para me distrair. Na discussão durante o caminho meu irmão me questionou: Erick, por que esses acontecimentos influenciam na economia? Essa pergunta ficou em minha cabeça.

Logo nos primeiros minutos de festa notei que o som que o DJ tocava me provocava certa estranheza, mas após as primeiras ondas sonoras alterarem meu humor fui tentando entender o que aquela música me trazia.

Após perder a atenção e me deixar levar pelo som, motivado pela pergunta que meu irmão havia feito, cheguei a seguinte conclusão: As pessoas estão ali por diversos motivos, mas para que todos curtam precisam de uma boa música. Ela cria um ambiente favorável. As pessoas esperam que esse DJ dêe o seu melhor para que todos possam continuar dançando; ele nem sempre acerta as notas, mas não é isso que o público espera.

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Dessa maneira consegui responder à pergunta de meu irmão: Investidores estão no mercado por diversos motivos, mas todos precisam de um ambiente favorável. Todos esperam governantes que deem o seu melhor, que criem um ambiente propício para que todos possam “dançar” (produzir, consumir, interagir). Ninguém espera todas as notas certas, mas esperamos que busque o acerto e que honre com as expectativas.

O DJ é como o governo, as músicas são as medidas tomadas por ele, a dança são as interações de mercado e as pessoas dançando são as empresas investindo seu capital.

Nesse cenário não acreditamos que o DJ irá tocar uma boa música, por isso a dança não acontece e as pessoas não se dispõe a se movimentar.

Na música a expectativa se cria no silêncio, entre uma nota e outra. Naquele momento ninguém sabe o que irá acontecer, apenas esperamos. Após ouvir as próximas notas musicais já sabemos em qual ritmo iremos dançar. Música boa, ação. Música ruim, inércia.

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A expectativa de mercado também se cria no silêncio, no mesmo intervalo entre uma ação e outra, uma medida econômica e outra. O silêncio é aquele exato momento onde todos nós esperamos respostas para decidir em qual ritmo iremos dançar.

Essa instabilidade política influencia na economia, pois deixamos de ter boas expectativas. Vamos aos poucos perdendo a capacidade de enxergar se realmente essas medidas econômicas irão ajudar a minha empresa a se desenvolver. Perdemos a vontade de consumir/gastar por medo de que amanhã essa instabilidade tire meu emprego (eis o índice de confiança do consumidor).

Poderíamos sim acreditar nos números, evolução nos últimos meses, crescimento do PIB, queda da inflação e blá, blá, blá…, mas nossa cabeça não funciona assim.

Nossas expectativas não são racionais, lindas e perfeitas como no relatório Focus. Nossas expectativas são irracionais e motivadas por inúmeros fatores que a economia tradicional não consegue mensurar sozinha, ela precisa da economia comportamental como guia.

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Nesse cenário de conflitos, falta a credibilidade e desacreditamos! O caos/ruído/crise/desafino se instaura, nesse ambiente não conseguimos prever a próxima nota a ser tocada e dessa maneira preferimos ficar parados e confortáveis no status quo.

O que não pode acontecer é a música ser tão ruim a ponto de todos decidirem ir embora.