A semana no mercado financeiro foi tensa!! A alta do dólar parecia não ter limites. Foi a maior desvalorização da moeda brasileira em uma década. Por outro lado, a bolsa de valores mostrava quedas após quedas. O que justifica movimentos de tanta intensidade? Será que a explicação está na economia tradicional, ou são movimentos explicados pelas ciências comportamentais e pelo pânico que toma conta do mercado?

Para começar é bom deixar claro que o mercado de câmbio é volátil por natureza. A relação entre a moeda doméstica, o real, e o dólar depende de todas as variáveis econômicas que afetam a economia brasileira e de todas as que afetam os Estados Unidos!! O câmbio se move, portanto, quando há uma notícia de safra recorde, quando a inflação sobe ou cai, quando as empresas decidem investir. Enfim, tudo que afeta a economia interna e o cenário mundial. Com tantas variáveis, a volatilidade é mais do que esperada!

Fica claro, portanto que os modelos econômicos tradicionais explicam sim a alta ou a baixa no mercado de câmbio. Pra simplificar bastante o câmbio reflete a força de um determinado país. Quando a expectativa de que a economia de uma pais estará enfraquecida, a moeda sofre. Este é o caso do Brasil. Estamos em uma fase de recuperação da economia, depois de quase 3 anos de recessão. Mas a recuperação acontece a partir do fundo do poço (bem fundo, por sinal!) e tem sido muito lenta. Até mais devagar do que o inicialmente esperado. E pra colocar mais lenha na fogueira temos uma das eleições mais indefinidas dos últimos tempos. Ou seja, o presente não está muito bom e o futuro do país é mais que nebuloso.

Por outro lado, a economia americana parece finalmente estar deixando pra trás os efeitos da crise do subprime que estourou em 2008. O desemprego está historicamente baixo, as vendas estão crescendo e o prognóstico parece ser de continuidade do crescimento. Em poucas palavras, a visão é de um Brasil pior e de uma economia americana melhor. Assim o dólar e o real andam em direções opostas de valorização e desvalorização, respectivamente, o que por so só já explica um movimento intenso.

Fonte: Business Journal

E tais movimentos são certamente energizados por condutas explicadas pelas ciências comportamentais. Duas delas serão exploradas neste texto: o efeito manada e o viés da disponibilidade.

O efeito manada é aquele em que um investidor copia o comportamento dos demais de maneira irracional. A ideia aqui é a seguinte: o movimento de alta do dólar tem fundamentos macroeconômicos. Mas o clima ruim acaba sendo potencializado pelos investidores que não acham que está tão ruim assim, mas copiam o comportamento de seus pares. E o movimento se retroalimenta. O mesmo acontece na bolsa de valores. O movimento de venda de ações se baseia numa perspectiva pior para a economia brasileira. Mas certamente é potencializada pelo comportamento de manada.

Além disso temos aí a influência do viés ou heurística da disponibilidade. Os vieses são a substituição de decisões complexas por atalhos mentais que facilitam as nossas decisões, mas que muitas vezes nos levam a decisões equivocadas por conta desta facilidade.

Neste caso específico, o atalho é aquele que faz com que as nossas expectativas a respeito de determinado tema se baseiem na memória mais recente (ou mais marcante) sobre aquele tema, a memória mais disponível. Ou seja, ao invés de nos lembrarmos de um conjunto de dados, acabamos nos baseando naquele que vem primeiro à mente.

E dado o conjunto de notícias ruins que temos visto, não é difícil entender porque são as previsões ruins que vem primeiro à mente, potencializando o movimento. Em primeiro lugar, já vimos o que uma gestão de curto prazo, baseada em incentivos fiscais pode fazer com o país. E o medo de que tenhamos um novo comando com este viés moldes puxa para baixo as projeções de crescimento. Mesmo que as eleições ainda estejam longe da definição. Vale destacar também os movimentos de mercado de 2013 que saltam à memória quando as pesquisas eleitorais mostravam um candidato desconhecido pelo mercado à frente nas eleições presidenciais.

Ninguém sabe o que vai acontecer. E não sabemos se os atalhos mentais e as explicações de comportamentos usados para a nossa defesa terão de fato nos protegido de solavancos à frente ou se os movimentos das ultimas semanas serão revertidos à normalidade. Apenas o tempo dirá.