Não há dúvidas de que uma das notícias mais badaladas do ano, pelo menos no mercado financeiro, foi a chegada da Apple ao valor de mercado na casa dos U$1 trilhão. Sendo assim resolvi postar aqui no mural alguns dados interessantes e claro, comentários comportamentais a respeito.

Algumas considerações antes dos gráficos.

Muitos dos comentários na mídia deram conta do sucesso. É evidente a pujança da Apple e sua capacidade de gerar caixa com uma linha relativamente restrita de produtos. Muito desse sucesso, como pode ser visto no gráfico publicado pelo Wall Street Journal, se deve às vendas do iPhone.

O que dizer do iPhone?

É claro que o aparelho é sem dúvida um dos melhores smartphones do mercado. É fato que seu valor subjetivo é extremamente alto, seja pelo status que determinadas associam à marca, sejam pelas funcionalidades e utilidades que o aparelho tem. Muitas dessas funcionalidades transformaram nossas vidas e nossas rotinas, em alguns pontos para melhor em muitos outros para pior.

Falando de valor subjetivo, quero dizer que o valor vai além das funcionalidades que usamos ou em última análise da utilidade que um celular como o iPhone pode ter em nossas vidas. A teoria subjetiva do explica em linhas gerais que o valor de um produto não está intrínseco, mas sim na mente de quem adquiri ou deseja o produto.

Neste ponto vale ainda destacar, como já comentado em um de nossos PodCasts , que Maslow com sua hierarquia das necessidades precisa de algumas revisões. A primeira delas pode ser a revisão do conceito de valor. Uma boa proposta de atualização foi feita pelo pessoal do site psicoativo, a qual reproduzo abaixo.

A ideia aqui não é discutir as teorias do valor, infelizmente rsrsrs. Acho que o post ficaria extenso demais. A ideia é comentar um pouco sobre um dos maiores alertas de risco que ameaça a posição atualmente ocupada pela Apple.

Como a Apple irá ajudar a resolver o vício que pessoas têm apresentado no uso do celular?

Alguns grandes players do mercado, já andam cobrando que a empresa incorpore determinadas funcionalidades que ajudem os usuários a agir mais racionalmente em relação ao tempo que estão conectados nos aparelhos e seus aplicativos.

Parece que a Apple, já tem se movimentado, e parece que algumas estratégias estão sendo baseadas em Economia Comportamental. Dentre os rumores estão o aprimoramento dos controles relacionados ao recurso de não perturbe e com algumas novas funcionalidades que alertam e limitam o uso de determinados aplicativos e funcionalidades. Tudo isso para que tenhamos menos tempo de uso desnecessário checando compulsivamente notificações irrelevantes.

Aliás parece ser um movimento geram na indústria de tecnologia. Outros grandes players como Facebook e Instagram já anunciaram que estão trabalhando em formas de reduzir o uso compulsivo dos aplicativos.

Enquanto a Apple vem dando show de desempenho financeiro no mercado, parece que há certo desconforto quando àquilo que pode ser possível ser feito para que o uso compulsivo de celular não vire um caso de saúde pública.

E em termos do que pode ser feito a respeito, há do ponto de vista comportamental uma enorme pedra no caminho chamada de Reatância Psicológica. Uma definição resumida e simplificada de reatância psicológica segue abaixo:

Reatância Psicológica é uma reação motivacional a ofertas, pessoas, regras ou regulamentos que ameaçam ou eliminam liberdades comportamentais específicas. A reatância ocorre quando uma pessoa sente que alguém ou algo está tirando suas escolhas ou limitando o leque de alternativas.

Reações podem ocorrer quando alguém é fortemente pressionado a aceitar uma certa visão ou atitude. A reatividade pode levar a pessoa a adotar ou fortalecer uma visão ou atitude que é contrária ao pretendido e aumentar sua a resistência à persuasão.

(BREHM 1966)

Não sei vocês, mas acho que a Apple tem um desafio bem substancial pela frente. A julgar pela tensão dos investidores quanto ao futuro e àquilo que pode ser feito para evitar, a Apple vai ter que concentrar atenções nesse problema.

Como já disse acima, antes o uso de celular passe a ser considerado um assunto de saúde pública, é urgente encontrar formas que evitar o uso compulsivo. A Economia Comportamental certamente é uma das áreas que mais pode ajudar e neste ponto é importante destacar como a lógica do mercado mudou.

Até alguns poucos anos atrás, dizer que seu produto se tornou tão indispensável e necessário que as pessoas não conseguem viver sem ele ou dependem dele para tudo, seria um dos componentes de sucesso e de previsões extremamente positivas para qualquer empresa.

Nos dias de hoje a boa notícia parece que mesmo a passos curtos e com diversos tropeços, escoriações e traumas pelo caminho, a espécie humana vem depurando suas prioridades e redefinindo aquilo que considera importante de fato.

Que venha a evolução da espécie!

REFERÊNCIAS

BREHM, J. W. (1966). A theory of psychological reactance. Academic Press.