Não é sobre gastar dinheiro ou adquirir coisas. Não é sobre ter mais dinheiro, ganhar mais dinheiro ou ter mais bens declarados no imposto de renda.

A felicidade pode sim estar ligada à posse de algo, compra de alguma coisa ou mesmo o acúmulo de dinheiro, no entanto não são estes fatos objetivos que nos deixam mais felizes, mas sim a experiência que eles nos causam e quanto tempo essa experiência dura.

É possível comprar felicidade! Mas…

Pare para pensar na sua última compra. É possível que ela tenha gerado um estado imediato muito positivo para sua felicidade. Imediatamente após comprarmos algo temos um up em nossa felicidade por estar de posse do bem.

A sensação de conquista, de ter batalhado por algo, juntado dinheiro. Todo o tempo gasto pesquisando os preços, as melhores opções de compra e tudo aquilo que hoje chamam de jornada do consumidor. As horas circulando pelos shoppings ou a espera para receber a encomenda pelos correios.

Todas as fases culminam num momento único onde concretizamos toda essa jornada e finalmente passamos a ter a posse do bem. No entanto este momento tende a ser rápido e efêmero. Quem nunca se deparou com situações do tipo: quero muito algo e depois que consigo…

Coloco encostado em algum lugar e depois de meses nem sequer me lembro mais de que tenho aquilo. A compra e toda a jornada na qual gastara meses de pesquisa e de esforço financeiro para juntar o dinheiro, desapareceu tão logo o objeto de desejo passou a ser objeto de posse.

Então para onde teria ido toda felicidade da posse, acumulada desde o momento da pesquisa, procura e escolha da compra?

Segundo Paul Dolan, conquistar algo nos deixa mais feliz. Então comprar algo pelo qual passamos um bom tempo planejando e juntando dinheiro nos trás sim felicidade.

O problema é que a felicidade que ganhamos esse tipo de conquista, baseada no consumo é efêmera demais. A conquista rapidamente deixa de ser o foco de nossa atenção. Simplesmente paramos de pensar nela. E assim a experiência deixa de ser percebida.

Ainda sobre felicidade, conquistas e metas, Paul Dolan em seu livro: Felicidade Construída, diz que:

“Temos desejo por conquista, e alguns defendem que isso por si só já traz felicidade. Não há dúvida de que só o fato de alcançar uma meta, o que deixa feliz seu “eu” avaliativo, pode trazer uma sensação muito boa; para quem joga vídeo game, atingir metas libera dopamina, neurotransmissor que gera prazer no cérebro. Mas esses são apenas passageiros.” (DOLAN, Paul. 2015 – posição 1515)

Paul Dolan

Felicidade é sobre aquilo em que decidimos prestar a atenção.

Quando acabamos de comprar alguma coisa, um celular por exemplo, dedicamos grande parte de nossa atenção a ele. Se o celular é objeto de desejo de outras pessoas com as quais convivemos, elas irão nos ajudar a manter o nível de atenção elevado e com isso mais felizes estaremos, não porque possuímos apenas, mas sim porque conquistamos e os outros reconhecem e validam nossa conquista.

Olha novamente a atenção e a experiência ae!

Mas então chega o dia em que a nova novidade não é tão novidade assim. Chega o dia em que um novo modelo de celular é lançado e então nosso objeto de desejo muda. Nossa atenção então muda para o novo modelo.

Nosso celular é comum outra vez. Os amigos deixam de reparar, outros tantos já possuem o mesmo modelo. E então deixamos de dar atenção para aquilo que nosso celular faz. Passamos então a “valorizar” (dar mais atenção) para aquilo que ele não faz se comparado com o novo modelo.

Nesse momento é provável que pouco importe se seu celular atende ou não às suas necessidades. E é por isso que em geral não nos consideramos pessoas felizes apenas avaliando a utilidade de determinado produto. E é por isso que estamos sempre querendo mais. É por isso que trocamos de celular o tempo todo. É por isso que as lojas da Apple têm filas quando do lançamento de novos modelos.

Aprender a prestar a atenção ao que importa, pode ser a saída para o consumismo irracional. Cuidar da nossa atenção pode nos ajudar a ser mais felizes, a gastar menos dinheiro trocando o tempo todo de celular ou consumindo mais do mesmo travestido de maneira diferente.

Da próxima vez que for confiar sua felicidade a algo, tenha certeza de que ele mereça sua atenção pelos motivos certos!

Até o próximo post pessoal!

Referências

DOLAN, Paul. Felicidade Construída: Como encontrar prazer e propósito no dia a dia. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.