Pleno Emprego: bom ou ruim?

É praticamente senso comum pensar que uma economia em pleno emprego, seja algo bom. É bem difícil pensar diferente desta ideia, mas nós aqui no Geekonomics não temos o pensamento muito linear, muito menos alinhado ao senso comum.

Pleno emprego, por definição é quando consideramos que todas as pessoas aptas a trabalhar, buscam emprego e o conseguem em pouco tempo com pouco esforço.

Alguns economistas foram muito defensores do Pleno Emprego, porém no pós Segunda Guerra, viu-se que lugares que experimentaram o pleno emprego não raro se afogavam em crises inflacionárias graves, sem falar nos impactos que situações de pleno emprego podem causar.

Como disse acima, é intuitivo pensar que quando um país se encontra em pleno emprego, isso seja algo positivo. Mas vamos fazer um exercício diferente? Ao contrário de tudo que já foi melhor discutido, com mais competência em outros sites e livros de economia, pense no seguinte:

Como seria viver em uma economia em pleno emprego?

Algumas informações podem nos dar pistas. Em especial separei duas aqui que considero serem interessantes para pensarmos criticamente e de forma diferente sobre como uma situação em princípio boa, pode vir a ser ruim de uma maneira geral.

Dados publicados pela Bloomberg Business Week, mostram que para os EUA, que estão muito próximos de uma situação de pleno emprego, os trabalhadores não vêm tendo muito a comemorar. Comparando a queda no desemprego com o aumento nos salários percebe-se que uma queda de mais de 70% no desemprego, produziu um aumento de 17% no valor da hora trabalhada.

É interessante perceber que, estando a economia em pleno emprego, espera-se que existam poucos trabalhadores disponíveis. Com isso os salários deveriam subir, afinal está “faltando” mão de obra no mercado de trabalho (grande maioria está empregada). Mas esta “falta” de trabalhadores não serviu para que o valor do trabalho subisse tão exponencialmente quanto foi verificado na queda do desemprego.

Outro ponto interessante é perceber que para o trabalhador estar em pleno emprego não necessariamente significa ter boas condições de trabalho. Estudo realizado nos EUA e publicado no Wall Street Journal, mostra que em uma situação próxima do pleno emprego, os trabalhadores norte-americanos, passaram a fazer mais horas extras.

É claro que horas extras pagam melhor e certamente entregam mais dinheiro para as mãos dos trabalhadores. Mas a que custo?

Analisando o aumento de 17% na renda média, visto no primeiro gráfico, podemos pensar que este aumento na verdade está diretamente ligado ao aumento nas horas extras trabalhadas. Então podemos dizer que na verdade não houve aumento no salário, houve sim foi aumento do trabalho e da remuneração extra.

Se considerarmos que o aumento é nominal e que pessoas geralmente sofrem com ilusão da moeda, o drama aumenta ainda mais.

Entenda o que é Ilusão da Moeda

Isso porque receber 17% de aumento nominal na renda pode não significa que o salário efetivamente aumentou nesse mesmo patamar. Neste ponto, em que deixamos de considerar a inflação e avaliamos de forma nominal um aumento, dizemos que estamos sofrendo de ilusão monetária ou da moeda.

A inflação média dos EUA para em 2018 (janeiro a junho) está em 2,46%, como mostra o gráfico abaixo:

Ganhar mais trabalhando mais, pode até ser interessante, mas diz pouco sobre a melhora das condições de vida e da felicidade em geral do trabalhador. Isso sem falar que horas extras tendem a aumentar os acidentes, o estresse e a reduzir o contato com a família.

Como disse no início do post, é bom pensar que todos tem emprego, no entanto temos que ter cuidado, afinal de contas nem toda situação de pleno emprego pode ser considerada sinônimo de boas condições de trabalho e vida dos trabalhadores.