O assunto é polêmico, mas nem por isso precisa ser ignorado. Estamos no mês mais longo do ano e junto com tantos dias úteis começa o calendário de eventos eleitorais[1], o que significa que está aberta a temporada de propaganda eleitoral, como comícios, carreatas, distribuição de material gráfico e propaganda na Internet (desde que não paga). Acredito que este não seja o momento mais esperado por você, e talvez você esteja entre os 18,12%[2] da população brasileira que sequer participou da última eleição, mas fica aqui o alerta: a caça ao eleitor começou.

Nós já nos acostumamos a prover nossa própria educação de qualidade, nosso próprio plano de saúde, nossa própria segurança. Nos responsabilizamos pelas atribuições do Estado Democrático destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias[3]. Sim, essa é a missão maior do Estado descrita na nossa Constituição.

Claro que aqui não vamos discutir e remoer todo o histórico nacional e os motivos que nos levaram ao caos atual, mas queremos explicitar com base na Economia Comportamental, o que acontece quando você opta por ignorar a política.

E por isso, quero apresentar a vocês o conceito do efeito avestruz.

O Efeito Avestruz

 

 

Quando falamos de avestruz já vem a imagem de um bicho com a cabeça enterrada na terra, e esse conceito do efeito avestruz remete bem a essa imagem. Refere-se ao comportamento de ignorar todos os riscos e sinais negativos, e acabamos optando por bloquear as influências negativas em nossas cabeças. As pessoas são expostas a informações desconfortáveis ​​e, em vez de sofrerem ou buscarem mudanças, optam por ignorar completamente as informações[4].

Quando o assunto é política e optamos por esse comportamento/posicionamento caímos em outro problema maior reforçado por este ditado popular: o pior cego é aquele que não quer ver.

Nos sobrecarregamos com as atribuições do Estado, e preferimos ignorar todos os problemas gerados pelas decisões e indecisões políticas, optando assim pela abstenção.

Mas o que a omissão gera de impacto na nossa vida?

O impacto é refletido nas opções default (opções padrões) das políticas públicas que chegam até você antes mesmo que você perceba. E o mais grave é quando se tratam de novas políticas, com novas regras e não apenas uma opção default, há mudanças nas regras do jogo e você nem viu o jogo começar.

Pense nos problemas crônicos do país e avalie: quantas vezes você optou por se abster do assunto e ignorar a pauta? Depois de quanto tempo este assunto chegou com uma opção default ou uma decisão já tomada para a sua realidade?

Deixo aqui algumas pautas críticas[5] para que você avalie se quer interferir agora ou manter o status quo: Reforma da Previdência, Privatizações, Aborto, Foro Privilegiado e Teto do Funcionalismo Público.

 

Referências:

[1] http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2017/Dezembro/confira-as-principais-datas-do-calendario-eleitoral-das-eleicoes-gerais-de-2018

[2] https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/tse-24-milhoes-de-eleitores-deixaram-de-votar/

[3] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

[4] http://geekonomics.com.br/glossario-de-economia-comportamental/

[5] https://br.sputniknews.com/noticias/2018020510453815-congresso-5-pautas-2018/