Um pequeno “disclaimer” antes de iniciarmos o post propriamente dito.

Esse foi um texto publicado no Financial Post pela Kelly Peters. Kelly é cientista comportamental , CEO e co-fundadora da BE Works (que tem no time ninguém menos que Dan Ariely como co-fundador e CBS – Chief Behavioral Scientist), uma empresa sediada em Toronto que aplica insights da Economia Comportamental para ajudar a resolver os desafios no mundo corporativo. Portanto, quando a Kelly fala/escreve, é sempre bom parar para ouvir/ler.

Kelly também ajuda a divulgar a Economia Comportamental através dos seus vídeos, palestras e textos com uma linguagem mais acessível para as pessoas que procuram entender sobre o tema, que ainda vive muito imerso no mundo acadêmico. Isso esta bem alinhado com o que pensamos também aqui no Geekonomics: divulgar a Economia Comportamental com um linguajar mais palatável ao público e explicar, de maneira simples (e porque não, divertida), como essa ciência pode ajudar a resolver os desafios das empresas e da sociedade de uma maneira geral.

Quando li este post da Kelly, entrei em contato com ela pelo Linkedin pedindo permissão para traduzi-lo e divulgá-lo aqui pra vocês, pois achei que o assunto abordado pode ser muito bem aplicado para o público brasileiro. É um modelo de pensamento que eu mesmo procuro aplicar, e que aprendi há alguns anos lendo diversos livros sobre o assunto, e tem me ajudado em diversas esferas da minha vida.

Kelly foi extremamente gentil e atendeu ao nosso pedido. Por isso, vale agradecê-la mais uma vez aqui: Thank you so much Kelly!

Pois bem, fiquem com o texto. (você pode ler o post original aqui)

Espero que gostem 🙂

Trazer o pensamento científico para sala de reuniões melhora a qualidade das decisões estratégicas e ajuda a entender as escolhas das pessoas

A figura de um cientista parece, a princípio, incompatível com a imagem que temos de um executivo. Jaleco versus terno de dois botões. Béquers versus mala. Mas e se trazer o pensamento científico para sala de reuniões fosse realmente compatível e transformador?

Pensamento científico seria uma parte de toda empresa. Melhora a qualidade das decisões estratégicas a nos ajuda a entender como as pessoas chegam nas suas decisões. No começo da minha carreira, eu observei que as decisões tomadas a respeito do comportamento humano eram muito distantes de uma compreensão do que as influenciava. Entra a disciplina de Economia Comportamental, que estuda a psicologia e tomada de decisão dos indivíduos e instituições.

Globalmente, empresa, organizações não governamentais a governos estão utilizando a Economia Comportamental para desenvolver e testar hipóteses sobre o que as pessoas acreditam, pensam e fazem. Economia Comportamental é utilizada para aumentar a aquisição, retenção e vendas; para empurrar escolhas mais saudáveis; reduzir o consumo de água; incentivar investimentos para aposentadoria; e impulsionar a doação de órgãos, para citar alguns exemplos. A noção de um nudge é agora uma linguagem comum, e muitos entendem a irracionalidade previsível na tomada de decisão das pessoas desde o lançamento dos livros “Nudge” do ganhador do prêmio Nobel Richard Thaler e do co-autor Cass Sunstein, e “Previsivelmente Irracional” e outros livros do meu co-fundador da BEwork Dan Ariely.

O que antes era domínio dos psicólogos sociais, psicólogos cognitivos e neurocientistas, agora esta se movendo para o mainstream; mudando da teoria para aplicação. Recentemente, eu viajei para Sydney e Bogotá para falar com líderes empresariais no World Business Forum, ao lado de visionários como Sir Ken Robinson, Steve Wozniak, Alan Mulally e Malcolm Gladwell. E em Setembro, iremos organizar o Summit for Science in Financial Services em Toronto, convocando os cientistas comportamentais pré-eminentes para promover a inovação e mudança.

Se você é um líder que quer adotar o pensamento científico, aqui estão três conselhos:

Seja curioso

Como cientistas, nossa curiosidade se torna algo que nos motiva. É a curiosidade de querer saber o por que. Quando você tem essa curiosidade, você é motivado a escalar  paredes que não deveria estar escalando – para ver com seu próprios olhos. Você só precisa saber.  Reunindo dados no mundo, quantificando-os, e em seguida formando hipóteses, utilizamos nosso senso inato de curiosidade para desenvolver uma maneira sistemática de responder a questões cientificamente. Não podemos simplesmente confiar em nossa intuição – temos que nos perguntar onde nossos vieses podem existir e nos deter. Observações sistemáticas são a base do pensamento científico.

Seja cético

Nós precisamos mudar de argumentos baseados em opinião e guiados pelo ego para argumentos de qualidade de evidência, e isso requer disciplina. Muitas vezes, não somos humildes o suficiente para sermos subservientes à evidência, mas preferimos desfrutar do sentimento de retidão que vem do nosso ego.

Costumamos fazer declarações que são desqualificadas de evidência. Na pior das hipóteses, está em contradição com a evidência. Em um mundo em que todos pensavam como cientista, diríamos “é a minha intuição que…” Isso é fundamentalmente diferente do que usar uma declaração desqualificada como fato, ou uma declaração que tem sido afirmada como “eu acho” ou “eu sinto.” Quando nós usamos “acho” ou “sinto”, cabe à pessoa que faz a afirmação fornecer prova e evidência dessa alegação.

Abrace a experimentação

O poder da experimentação nos dá coragem para tentar coisas novas, e diminui os riscos. Permite organizações testarem novos produtos ou inovações, refinar propostas, e tenham dados precisos e reais para prever o resultado de iniciativas em grande escala.

Na ciência, estamos pedindo para provar que estamos errado. Nos negócios, estamos tentando estar certos o tempo todo e sendo recompensados por isso. Para abraçar o pensamento científico, precisamos recompensar o fracasso, experimentação de qualidade e investigação de qualidade.

Quanto ao esteriótipo que as pessoas evocam quando pensam em cientistas – jalecos de laboratórios, béquers, cabelos bagunçados, óculos enormes – é só isso: um esteriótipo.

Cientistas se parecem como você e eu. Todos nós podemos ser pensadores científicos; tudo que precisamos é um comprometimento com a metodologia e uma curiosidade saudável e objetiva para as forças em ação no mundo ao nosso redor. Quando você começar a pensar como um cientista, você tem uma certa maneira de ver o mundo, e outros métodos de ver se tornam inferior a isso.

Para ajudar a orientar o pensamento científico, eu tenho uma pergunta favorita: “Como você sabe?”

Sócrates escreveu essa pergunta. É linda em sua simplicidade.


 

Kelly me pediu o link do post assim que ele fosse pro ar para divulgar com o pessoal de lá, portanto, não decepcionem e comentem aí embaixo o que acharam do texto 🙂

Vamos mostrar a força da família Geekonomics!