Distinguir sinal e ruído requer tanto conhecimento científico quanto autoconhecimento: a serenidade para aceitar as coisas que não podemos prever, a coragem para prever aquilo que podemos e a sabedoria para saber a diferença entre uma coisa e outra.

Somos uma máquina de fazer previsões: que horas devemos sair de casa para chegar no compromisso na hora marcada? E se tiver transito? Levo guarda-chuva? Um casaco? Vou vender as ações porque amanhã o mercado vai desabar com essa notícia de hoje.

Mas fazer previsões e fazer boas previsões são coisas completamente distintas.

Nate Silver destrincha de forma primorosa a importância de se ter cautela ao interpretar dados e informações para embasar uma previsão ou opinião. Nate é autor do blog FiveThirtyEight‘, que surgiu à partir de um modelo que ele criou para realizar previsões no campo do esporte (beisebol mais precisamente) e da política. Em 2008, ano que fundou o site, o FiveThrityEight conseguiu acertar corretamente o vencedor da corrida presidencial em 49 dos 50 estados americanos, bem como o vencedor de todas as 35 eleições para o Senado dos Estados Unidos.

Esse feito levou Nate Silver aos holofotes, e ele não parou mais. Ele é bom né, você deve estar pensando. Sim, ele é. Mas isso não tira a humildade que ele mantém até hoje (muito costumeira em seus posts no blog), em ter cautela ao modelar os dados e fazer suas previsões.

Tive sorte em alguns aspectos: primeiro, por ter alcançado o sucesso apesar de muitos erros e, segundo, por ter escolhido bem minhas batalhas

Nate é humilde e inteligente o suficiente para não desconsiderar o fator sorte.

O autor divide o livro em duas partes: a primeira mostra como as previsões falham na maioria das vezes e na segunda parte mostra como podemos treinar para melhorar nossas análises e saber diferenciar ruído de sinal. O autor passa por temas como meteorologia, crise financeira, terrorismo, doenças, esportes (quem curte Moneyball, a leitura deste livro é imprescindível), terremotos, poker, etc. Um dos principais problemas no mundo de análise de dados e predileções (e aqui vale pra tudo, desde prever clima até se a sua empresa baterá a meta anual) é que as pessoas esquecem das previsões que fazem. Se algo sai como previsto, automaticamente tendemos a nos glorificar por isso. Mas se a previsão falha (como ocorre com mais frequência do que se imagina), tendemos a atribuir a circunstancias que não estavam sob o nosso controle.

Só sei que nada sei

Se tem algo que Nate Silver, Nassim Taleb, Daniel Kahneman, Dan Ariely, Sócrates, Richard Thaler entre outros pregam, é que não somos bons em previsões.  Aliás, somos péssimos. Tendemos a formar padrões em tudo e procurar justificativas a todo instante.

Esse livro mudou muito minha forma de pensar, me relacionar com as pessoas, abordar e resolver problemas.

Por muitos anos acreditamos ser o centro do Universo. Hoje sabemos que somos poeira diante dessa imensidão aí fora, mas ainda assim, há uma dificuldade imensa no Homo Sapiens em assumir quando não se sabe, quando na verdade, sabemos bem pouco.

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Este foi o livro que me abriu os olhos e me fez perceber que a Economia Comportamental e o mundo do Big Data (Data Science, BI, Machine Learning e afins) podem muito bem caminhar juntos.

Recomendo para quem gosta de temas que envolvem essas áreas.

 

Nota 5/5