Sobre setembro amarelo, acreditamos que prova social deve ser considerada quando da formulação de políticas públicas e ações para prevenção ao suicídio. Neste sentido a Economia Comportamental pode ajudar.

Em 1774, Goethe escreveu um livro que marcaria o assunto sobre o suicídio. Provavelmente ele não imaginava a repercussão que o livro chamado de “O Sofrimento do Jovem Werther” iria provocar.

A história contava sobre o amor do jovem Werther que era apaixonado por Charllote – essa correspondia seu amor, porém era impossível de ser consumado, já que ela já havia sido prometida para outro.

Werther se vendo cada vez mais apaixonado por ela e impossibilitado de ter o seu amor acabou por decidir dar fim a sua vida. Assim, o livro que Goethe escreveu entrava para a literatura mundial como clássico do romantismo, mas com um fenômeno colateral não esperado…

Goethe in the Roman Campagna, Johann Heinrich Tischbein, 1787

“Efeito Werther” foi o nome cunhado para o fenômeno que o livro provavelmente estimulou. Uma onda de suicídios ocorreu após a publicação, e muitos associaram a obra de Goethe como estímulo para a ação das pessoas.

Isso foi uma especulação, afinal não haviam meios de comprovar causa e efeito e que o livro de fato havia criado o suicídio de um grande número de pessoas. Porém, isso estimulou alguns estudos a serem realizados.

Em 1974, David Phillips, Universidade de Nova York, lançou uma luz sobre os questionamentos possíveis do livro. Ele publicou um artigo em que fazia o levantamento dos anos de 1947-1967 sobre notícias relacionadas a suicídio nos EUA e na Grã-Bretanha. E o que ele observou foi que quanto mais a notícia era vinculada a história do suicídio, maior a probabilidade de as pessoas cometerem suicídios após a publicação da notícia, principalmente na região em que o fato tinha ocorrido.

Se uma história era muito romantizada ou extremamente detalhada, aí estava um possível perigo.  Phillips concluiu que o aumento da sugestão ao comportamento era fator importante para a conclusão do ato em si.

Para quem segue o site, o conceito de norma social/prova social se faz presente nessas situações. Assim, em situações ambíguas em que não sabemos ao certo como se comportar buscamos informações de terceiros. O problema é que esse padrão de comportamento pode ser prejudicial e influenciando negativamente o indivíduo como no caso de suicídios.

Isso explica por que a Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere que notícias de suicídio não sejam descritas em detalhes ou mostradas de forma heroica. Uma das ideias é proteger pessoas em situações de vulnerabilidade.

Por isso séries que tratam o assunto como destaque ou como protagonistas em situação duvidosa – você disse “13 reasons why”? –  podem acabar por fazer um desfavor se o assunto não for tratado de forma clara.

O setembro amarelo é uma iniciativa do CVV (centro de valorização da vida) e auxilia em algo muito importante: A quebra do TABU. Um outro exemplo de tabu, antigamente não se podia falar a palavra “câncer” em uma casa que isso seria motivo de cara fechada, pois falar “atrai”. Hoje temos uma ampla conversa sobre o assunto com as campanhas outubro rosa e novembro azul. Tudo isso se deve a informação e quebra deste TABU. Acredito que o setembro amarelo já faz um grande trabalho ao mostrar que esses fatos existem e devem ser discutidos.

Para finalizar, seguem 10 mitos sobre o suicídio para que você se informe, e não se furte a ajudar quem precisa, O CVV possui um telefone para atendimentos para esses casos: 188.

10 mitos sobre o suicídio – OMS:

1 – As pessoas que falam sobre o suicídio não farão mal a si próprias, pois querem apenas chamar atenção.

2 – O suicídio é sempre impulsivo e acontece sem aviso.

3 – Os indivíduos suicidas querem mesmo morrer ou estão decididos a matar-se.

4 – Quando um indivíduo mostra sinais de melhoria ou sobrevive a uma tentativa de suicídio, está fora de perigo.

5 – O suicídio é sempre hereditário.

6 – Os indivíduos que tentam ou cometem suicídio têm sempre alguma perturbação mental.

7 – Se um conselheiro falar com um cliente sobre suicídio, o conselheiro está a dar a ideia de suicídio à pessoa.

8 – O suicídio só acontece “àqueles outros tipos de pessoas, não a nós”.

9 – Após uma pessoa tentar cometer suicídio uma vez, nunca voltará a tentar novamente.

10 – As crianças não cometem suicídio dado que não entendem que a morte é final e são cognitivamente incapazes de se empenhar em um ato suicida.

CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA – CVV

O CVV (Centro de Valorização da Vida) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar – sob total sigilo – por telefone, email, chat e Skype 24 horas todos os dias.

A pessoa pode conversar com um voluntário do CVV ligando 188 ou pelo site www.cvv.org.br, sempre 24 horas por dia.

Referências:

https://culturecog.blog/wp-content/uploads/2018/08/Phillips_1974_The-INfluence-of-Suggestion-on-Suicide.pdf