A melhor definição de Nudge foi cunhada por Richard Thaler e Cass Sustein no livro de mesmo nome:

“Um Nudge, como usaremos o termo, é qualquer aspecto da arquitetura de escolha que altere o comportamento das pessoas de uma maneira previsível, sem proibir nenhuma opção ou alterar significativamente seus incentivos econômicos. Para contar como um simples empurrão (Nudge), a intervenção deve ser fácil e barata de evitar. Nudges não são mandatos. Colocar a fruta no nível dos olhos conta como uma cutucada. Banir junk food não.” (Thaler and Sunstein 2008).

Nudges são ferramentas poderosas para alterar a escolha das pessoas, a fim de obter alterações em seus comportamentos e atitudes, o que constituiria melhorias para eles próprios e para a sociedade como um todo.

Um Nudge de certa forma resume algumas das descobertas da  Economia Comportamental, que se baseia extensivamente em suposições da psicologia sobre heurísticas e vieses e que foi aplicada a uma série de problemas atuais, como a compreensão das contribuições para os esquemas de pensão. (JOHN, SMITH e STOKER, 2009).

É óbvio que Nudges podem ser utilizados para o bem ou para o mal. Neste ponto discussões têm sido amplamente levantadas sobre os limites da aplicação de Nudges.

Neste ponto, destacam-se contribuições que reforçam a necessidade do Nudge estar claro e preservar a liberdade de escolha das pessoas, não havendo obrigação ou coerção, mas sim uma espécie de persuasão que direcione a decisão para aquilo que produza o melhor resultado para o agente.

Deriva desta questão outro ponto muito discutido quando da aplicação de Nudges, que é o Paternalismo Libertário.

Thaler e Sunstein propõem que o paternalismo libertário é um tipo de paternalismo no sentido de que “tenta influenciar as escolhas de uma maneira que melhorará os seletores, julgados por eles mesmos”(Thaler e Sunstein, 2008).

É importante observar que o conceito paternalismo prega especificamente que haja uma restrição de escolha. Quando qualificado como libertário, visa assegurar que “as pessoas devem ser livres para optar por arranjos específicos, se assim desejarem” (Thaler, 2009).

O paternalismo libertário é semelhante ao paternalismo assimétrico, que se refere a políticas destinadas a ajudar pessoas que se comportam irracionalmente e, portanto, não estão promovendo seus próprios interesses, ao mesmo tempo em que interferem minimamente com pessoas que se comportam racionalmente. (Camerer e Loewenstein, et al, 2003).

A assimetria considerada em termos das políticas paternalistas são consideradas assimétricas no sentido de que devem ser aceitáveis ​​tanto para aqueles que acreditam que as pessoas se comportam racionalmente como para aqueles que acreditam que as pessoas geralmente se comportam irracionalmente.

 

REFERÊNCIAS

THALER, Richard H. (September 26, 2009). “Opting In vs. Opting Out”. The New York Times. Archived from the original on 4 July 2012. Retrieved 4 July 2012.

THALER, Richard and Sunstein, Cass. 2003. “Libertarian[sic!] Paternalism”. The American Economic Review 93: 175–79.

LEONARD, Thomas C. Richard H. Thaler, Cass R. Sunstein, Nudge: Improving decisions about health, wealth, and happiness. 2008.

CAMERER, Colin et al. Regulation for Conservatives: Behavioral Economics and the Case for” Asymmetric Paternalism”. University of Pennsylvania law review, v. 151, n. 3, p. 1211-1254, 2003.