Nobel de Economia de 2018 premia pesquisadores pelas contribuições de seus estudos em modelos macroeconômicos onde foram considerados os impactos do crescimento para a meio ambiente e como a tecnologia pode impulsionar o conhecimento e este ser um motor no crescimento econômico.

Hoje foi dia de conhecer os ganhadores do Nobel de Economia de 2018. O prêmio foi dividido por dois economistas pelas suas contribuições inovadoras com abordagens em modelos macroeconômicos. Amas as contribuições tratam de temas muito relevantes para sustentabilidade, analisados na perspectiva de crescimento econômico de longo prazo.

Cada ganhador receberá nada menos do que US$4.5M. Ambos são norte americanos sendo que William D. Nordhaus do MIT, professor de economia na Sterling e Yale. Já Paul M. Romer é professor na NYU Stern SChool of Business.

Interessante perceber que a premiação é ao mesmo tempo o reconhecimento a respeito da importância de se considerar os impactos do crescimento econômico para a sociedade de um modo mais integral, percebendo como isso causa mudanças, muitas vezes indesejadas.

Interessante ainda é perceber que os ganhados, ambos norte-americanos, pesquisam temas que atualmente estão sofrendo uma enorme alteração de direção política nos EUA. Isso porque como todos sabem, Trump o atual Presidente dos EUA chegou ao que estudiosos do clima chama de quinto estágio de negação em relação às mudanças climáticas. Estes estágios reproduzo abaixo:

5 ESTAGIOS DE NEGAÇÃO DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Estágio 1: negar o problema existe

Estágio 2: negar que somos a causa

Estágio 3: negar é um problema

Estágio 4: Negar Podemos Resolvê-lo

Estágio 5: é tarde demais

Um claro posicionamento de inércia perante ao problema da mudança climática, concordam?

Fica aqui então a impressão de que a premiação tenha tido grande viés político. Claro que sem demérito à pesquisa realizada pelos premiados. Mas o cunho político é percebido e acho mesmo que seja uma das funções mais importantes do Nobel: chamar a atenção para temas relevantes e para pesquisas realizadas que tratam desses temas sob a ótica da economia.

O recado aqui vai para Trump em estágio insano de negação dos problemas e negligenciando como política de governo a questão da sustentabilidade.

Vou deixar vocês com um resumo (release) a The Royal Swedish Academy of Sciences a respeito das pesquisas e dos ganhadores do Nobel. Ah o resumo já está em português, traduzido por nós mesmos. Então relevem alguma inconsistência na tradução se houver rsrsrs. Basta clicar abaixo e ler aos que se interessarem.

Deixo também o vídeo na íntegra do anúncio dos vencedores do Nobel de Economia e se quiserem podem acessar nosso instagram ou facebook e ver a live que fizemos ao vivo comentando o anúncio. Aproveita para seguir o geekonomics por lá.

Segue o vídeo:

Até a próxima pessoal!

Release Nobel Economia 2018 em (PT-Br)

William D. Nordhaus e Paul M. Romer criaram métodos para abordar algumas das questões mais básicas e prementes de nosso tempo sobre como criamos crescimento econômico sustentado e sustentável a longo prazo. Na sua essência, a economia lida com a gestão de recursos escassos. A natureza dita as principais restrições ao crescimento econômico e nosso conhecimento determina quão bem lidamos com essas restrições. Os laureados deste ano, William Nordhaus e Paul Romer, ampliaram significativamente o escopo da análise econômica, construindo modelos que explicam como a economia de mercado interage com a natureza e o conhecimento.

Mudança tecnológica – Romer demonstra como o conhecimento pode funcionar como um impulsionador do crescimento econômico de longo prazo. Quando o crescimento econômico anual de alguns por cento se acumula ao longo de décadas, ele transforma a vida das pessoas. Pesquisas macroeconômicas anteriores enfatizaram a inovação tecnológica como o principal motor do crescimento econômico, mas não modelaram como as decisões econômicas e as condições do mercado determinam a criação de novas tecnologias.

Paul Romer resolveu esse problema demonstrando como as forças econômicas governam a disposição de frms de produzir novas ideias e inovações. A solução de Romer, publicada em 1990, lançou as bases do que hoje é chamado de teoria do crescimento endógeno. A teoria é conceitual e prática, pois explica como as idéias são diferentes de outros bens e requerem condições específicas para prosperar em um mercado. A teoria de Romer gerou uma grande quantidade de novas pesquisas sobre os regulamentos e políticas que incentivam novas idéias e prosperidade a longo prazo.

Mudança climática – os encontros de Nordhaus lidam com as interações entre a sociedade e a natureza. Nordhaus decidiu trabalhar sobre esse assunto na década de 1970, à medida que os cientistas se preocupavam cada vez mais com a combustão de combustíveis fósseis, resultando em um clima mais quente. Em meados da década de 1990, ele se tornou o primeiro a criar um modelo de avaliação integrada, ou seja, um modelo quantitativo que descreve a interação global entre a economia e o clima. Seu modelo integra teorias e resultados empíricos da física, química e economia.

O modelo de Nordhaus agora está amplamente difundido e é usado para simular como a economia e o clima co-evoluem. Ele é usado para examinar as consequências das intervenções de políticas climáticas, por exemplo, impostos sobre carbono. As contribuições de Paul Romer e William Nordhaus são metodológicas, fornecendo-nos insights fundamentais sobre as causas e consequências da inovação tecnológica e das mudanças climáticas. Os laureados deste ano não fornecem respostas conclusivas, mas os seus resultados aproximaram-nos consideravelmente de responder à questão de como podemos alcançar um crescimento econômico global sustentado e sustentável.