Se engajar numa mudança de comportamento não é fácil, afinal são muitos custos envolvidos na mudança atuam como barreira nos forçando a manter o comportamento atual, mesmo sendo indesejado.

Neste post vou falar sobre como engajar em um novo comportamento (iniciação) versus manter um comportamento existente.

Diferentes custos e benefícios podem estar envolvidos em uma mudança de comportamento e na manutenção de um comportamento. Segundo Verhallen, T. M. M., & Fred van Raaij, W. (1986), a mudança comportamental em geral envolve:

– Os custos de oportunidade de renunciar ao comportamento existente;

– Os custos cognitivos e psicológicos de aprender o novo comportamento, incluindo a formação de hábito;

– O esforço para esquecimento de alternativas e informações de feedback positivo do comportamento que se pretende mudar;

– O esforço para reforçar os benefícios do novo comportamento desejado, em oposição aos custos de oportunidade de abandonar outros comportamentos indesejados.

(Verhallen & Raaij, 1986)

Custos irrecuperáveis ​​podem ser a principal razão pela qual as pessoas continuam com seus comportamentos. Já falei disso em outro post [LINK AQUI].

Nesse sentido quando a avaliação entre benefícios e custos da mudança de comportamento se apresenta como um trade-off e para que tenhamos sucesso na mudança de comportamento, o resultado do cálculo entre benefícios e custos deve ser favorável os benefícios.

Mas nem sempre conseguimos clareza em nossa mente a respeito dos benefícios, isso porque, analogamente como expresso nas finanças, onde o dinheiro tem valor no tempo, nosso cálculo/avaliação de benefícios também possui a mesma lógica.

Apresentamos uma forte inclinação para antecipar benefícios e quando estes estão distantes no tempo descontamos fortemente seu valor no tempo presente. Assim recompensas futuras mesmo sendo elevadas e entregando altos benefícios, são “contabilizadas” por nós com valores menores.

É como se houvesse uma taxa de desconto do benefício em função do tempo. Então, quanto mais tempo o benefício demora para se concretizar, menos valor damos a ele. Se enfrento a decisão entre ir para balada hoje ou guardar o dinheiro para viajar, teríamos algo do tipo quando pensamos em benefícios:

Viram o que acontece?

Como não temos como é mais difícil antecipar o benefício de viajar daqui a 90 dias hoje, quando somos confrontados a decidir o que fazer, apresentamos a tendência de escolher ir para a balada. Hoje, viajar apresenta apenas 20 unidades de benefício, porque descontei 80 unidades pois a recompensa da viajam está distante no tempo.

É claro que isso é uma aproximação esquemática grosseira, mas muito didática para ilustrar como descontamos benefícios no tempo.

Esse tipo de lógica do nosso comportamento é amplamente descrito pelo que a Economia Comportamental chama de Desconto Intertemporal. Mas isso é assunto par outro post.

Volto então para nosso assunto, que é a promoção de uma mudança de comportamento ou criação de novo hábito.

Ao iniciar uma mudança de comportamento, é importante pensar em recompensas que elevem nossa percepção dos benefícios no tempo presente (hoje). Pensar por exemplo que fazer dieta e exercícios hoje nos trará mais saúde no futuro, não entrega todo benefício capaz de superar os altos custos envolvidos da mudança de comportamento.

Então se for pensar em iniciar algum novo hábito ou promover uma mudança em seu comportamento, pense em criar formas de recompensa que evidencie os benefícios imediatamente após cada atitude diferente adotada em direção à mudança de comportamento.

Se o comportamento adotado for, por exemplo, poupar para aposentadoria, crie formas de recompensa que mostrem no presente os benefícios de guardar dinheiro. Sei que é muito complexo fazer isso.

O que tema funcionado bem para mim, é ler notícias a respeito dos dramas de pessoas endividadas ou dos desafios e restrições que pessoas beneficiárias apenas da renda da previdência (INSS) enfrentam.

Alguns aplicativos, apresentam boas ferramentas de evidenciam benefícios no presente de se poupar dinheiro.

O Guia Bolso por exemplo, mostra uma espécie de termômetro que compara meus gastos e poupança com a média dos demais usuários do aplicativo. De forma inconsciente esse reforço explícito tem se apresentado como uma importante ferramenta de reforço e evidência dos benefícios da poupança no tempo presente (hoje).

O Guia Bolso também deixa bem clara minha meta, utilizando uma ferramenta de gamification. Funciona como um jogo onde juntar dinheiro e melhorar meu perfil financeiro faz parte de uma competição entre eu e demais usuários do aplicativo.

Sempre quero estar melhor comparativamente à média dos demais usuários do Guia Bolso e quando melhoro meus índices e metas sinto de forma concreta os benefícios no presente eliminando o desconto de avaliar esse mesmo benefício no futuro distante.

Então se for pensar em mudar ou adotar novos comportamentos, pense antes em como você irá se manter ativado na análise entre benefícios e custos. Para isso você terá que vencer o viés do presente, que nada mais é do que valorizar de maneira mais intensa os benefícios que estão mais próximos no tempo do que aqueles mais distantes.

Valorizar mais recompensas ou benefícios no presente, podem nos distanciar de nossos objetivos de mudança de comportamento ou criação de novos hábitos. Isso porque não raro, os benefícios tendem a ser sentidos mais a longo prazo do que os custos da mudança de atitude.

Ao longo da empreitada lembre-se de que, se em algum momento os benefícios não estiverem claros e evidentes, os custos de oportunidade podem levar você a abandonar o comportamento desejado. Então renove a cada dia as formas de evidenciar os benefícios e seja criativo para se manter ativado. Isso certamente aumentará muito suas chances se sucesso ao implementar alguma mudança de comportamento ou novo hábito.

Até a próxima Geeks!