O que haveria de comum entre a Economia Comportamental e Stan Lee, um dos mais importantes escritores de histórias em quadrinhos? Neste post vamos ao mesmo homenagear Stan Lee, falecido hoje e mostrar que o escritor guarda algumas semelhanças com a Economia Comportamental.

Hoje certamente foi um dia triste para quem gosta de bons personagens e boas histórias. Stan Lee faleceu hoje e não poderíamos deixar de render nossa homenagem por aqui. Muitos conhecem Stan Lee como um criador de personagens Marvel.

Eu no entanto gosto de ver Stan Lee também como um conhecedor da psicologia e das relações humanas.

Grande parte do sucesso da Marvel se deve a ele, muito porque foi ele quem passou a “humanizar” os super-heróis.

Lee deu a seus novos super-heróis sentimentos mais humanos, uma mudança de seus outros heróis. Seus personagens tinham características presentes também em humanos. Isso mostrava uma negação ao estereótipo do herói, perfeito, autossuficiente é superlativo em características também psicológicas.

Lee então inseriu dilemas de pessoas comuns em seus personagens. Muitos tinham um temperamento ruim, ficavam melancólicos, cometiam erros humanos normais. Preocupavam-se em pagar suas contas e impressionar suas namoradas, e às vezes ficavam até doentes fisicamente. Os super-heróis de Lee capturaram a imaginação dos adolescentes e jovens adultos, e as vendas aumentaram drasticamente.

Com certeza parte do sucesso da nova forma de retratar os personagens utilizada por Stan Lee, pode ser atribuída pela aproximação dos heróis às pessoas comuns. Nesse sentido, Lee se assemelha ao surgimento da Economia Comportamental.

Já comentamos aqui sobre o Homo Economicus, uma simplificação utilizada pela Ciência Econômica na criação de muitos modelos teóricos para explicar o comportamento do consumidor.

Basicamente a simplificação do Homo Economicus pressupõe o Ser Humano como sendo dotado de uma racionalidade tal que o levaria a apresentar apenas comportamentos que maximizassem seu próprio bem-estar.

A Economia Comportamental trouxe uma abordagem diferente e tal como Stan Lee, mostrou que o Ser Humano é dotado de racionalidade limitada e que muitas vezes a sabedoria maior é como enfrentamos diariamente nossas inclinações indesejadas e fragilidades psicológicas. Pense nas históricas contadas por ele e seus super-heróis.

É relativamente simples identificar uma série de heurísticas presentes, vieses e claro, uma infinidade de decisões que na grande maioria das vezes estão permeadas de dilemas morais, conflitos de interesse e comportamento muitas vezes altruísta.

É nesse ponto em que a grande mudança na forma de retratar os heróis, proposta por Stan Lee ainda na década de 1960, se encontra com nosso cotidiano. Reconhecer nossas fragilidades, tal como fez Stan Lee com seus personagens, certamente é o primeiro e mais importante para vencê-las.

Além de incrementar e dar novas possibilidades aos modelos econômicos, a Economia Comportamental também pode ser usada como importante fonte para o autoconhecimento.

Parte dessa função, de autoconhecimento, da Economia Comportamental tentamos cumprir por aqui com alguns posts, onde mostramos aplicações de descobertas científicas no dia a dia das pessoas. Espero que tenhamos sucesso nesse processo!

E por fim deixo aqui o mais elevado agradecimento e reverência à Stan Lee. Como leitor de HQ’s em quase toda minha infância é o mínimo que poderia fazer nesse dia triste.

Até o próximo post!