Chegou o fim do ano, esta época mágica em que todos nós somos tomados por sentimentos de compaixão, caridade e amor. Momento de confraternização com todos os nossos núcleos, momento de deixar as desavenças de lado, de perdoar e seguir em frente.

E é bem nesta época que resolvemos fazer um balanço do nosso ano, o que fizemos, quais metas alcançamos e nos desafiarmos a novas experiências para o ano que virá, mas antes de você fazer o balanço, que tal minimizar os impactos das heurísticas.

O efeito do excesso de confiança é observado quando a confiança subjetiva da pessoa em sua própria capacidade é maior do que seu desempenho objetivo (real). [1]

Guia de Economia Comportamental e Experimental

Com este conceito claro, te convido a avaliar de forma sincera seu desempenho no ano, até porque isso diz respeito somente a você e as suas metas, mas mesmo assim podemos nos enganar e acabar por fechar um balanço falso positivo.

Então, para este exercício, vamos pensar em alguns grandes marcos comuns, conquistar uma promoção no trabalho, manter investimentos financeiros regulares e manter uma rotina de exercícios.

Em 12 meses qual foi seu real desempenho?

Tente minimizar o impacto da heurística da disponibilidade na sua avaliação, não vale o balanço dos 3 últimos meses, qual era seu status no primeiro semestre?

A heurística da disponibilidade distorce nosso balanço com base em uma memória recente, por isso recorra as suas anotações, confira no seu aplicativo de exercícios seu desempenho do ano, confira suas avaliações de desempenho no trabalho, recorra aos fatos e dados e não apenas a sua memória.

Claro, nem tudo que queríamos fazer saiu como o planejado e é neste momento que o efeito IKEA se aplica. Nossa tendência de supervalorizar o nosso próprio desempenho e conquistas, “eu não consegui fazer exercícios cinco vezes na semana, mas fiz duas vezes por semana, então vale”, “eu não recebi um aumento, mas fui promovida”, e outras frases que apenas afirmam como supervalorizamos nossos feitos.

Isso não acontece só com você, faz parte do nosso comportamento, mas conhecer as heurísticas que nos impactam e saber contorná-las nos trará ganhos reais. O objetivo de traçar as metas pessoais no começo do ano é simplesmente para criar em nós um desafio e um ânimo maior.

Se ao final da etapa eu não obtive êxito real e ainda corrompo minha avaliação, não será possível identificar onde falhamos e o que devemos fazer no próximo ano, replicando apenas as mesmas metas e mantendo o status quo.

Retome a sua lista de dezembro de 2017 e avalie ponto a ponto quais foram os ganhos e os pontos que precisam melhorar, os anos serão os mesmos, se as metas e o nosso comportamento não forem diferentes.

Referência

[1] Guia de Economia Comportamental e Experimental / Flávia Ávila, Ana Maria Bianchi, organizadores, tradução Laura Teixeira Motta – 1ª ed. – São Paulo: EconomiaComportamental.org, 2015.