Nosso cérebro está decidindo na média? Leia e entenda as implicações e saiba o lado bom e ruim desse mecanismo de pensamento para suas decisões.

Humanos tem a capacidade de explicar e justificar tudo que aparece a nossa frente. Mesmo os acontecimentos mais absurdamente resultantes de coincidências logo são explicados e dissecados com teorias e correlações inimagináveis. Essa nossa capacidade deriva, dentre outras causas do fato de nosso cérebro decidindo na média, usa um mecanismo próximo da medida estatística de média.

Desde as mais absurdas teorias como terraplanismo, passando por imagens inconclusivas de óvnis e extraterrestres, até mesmo situações cotidianas logo ganham contornos de seriedade quando interessados em busca de seus quinze minutos de fama, partem para “explicar” e teorizar sobre o mero acaso ou coincidência.

Os humanos têm se tornado uma raça muito prepotente ao longo de sua evolução e isso tem nos custado caro em determinadas situações. Esse nosso fetiche por achar que tudo pode ser explicado, já nos conduziu a enganos e também tragédias surreais.

A Economia Comportamental estuda comportamento humano relacionado a escolhas com uso da psicologia procurando entender o que nos leva a decidir sobre algo em algum contexto. Quando falamos em decisões, essa arrogância de nós humanos, também está muito presente. Não raro julgamos sem saber, analisamos sem conhecer e prevemos o futuro (pasmem) como se tivéssemos todo o controle sobre o ambiente, nossa rede de referência, o ambiente político legal e todas as demais decisões que acontecem a todo momento.

Não que seja culpa nossa diretamente, mas nosso cérebro contribui para essa nossa postura em explicar tudo. A forma como aprendemos algo está diretamente ligada a isso. Grande parte de informação que armazenamos em nosso cérebro é fruto de associações. Estas criam atalhos cognitivos para que possamos de forma simples e sem muito gasto energético decidir com base no conhecimento e no e no repertório pessoal que acumulamos durante nossa existência.

Estudos mostram que perto de 95% de nossas decisões são tomadas com base em associações, aproximações e similaridade com outras situações vivenciadas ou conhecidas. Ou seja, nossas decisões são fruto de um grande sistema de médias. E pior que essas médias nem sem são ponderadas de melhor forma.

Já vimos aqui em outros posts como o viés da disponibilidade atua em nosso processamento cognitivo. Em resumo esse viés, descoberto e já validado por inúmeros estudos científicos diz que:

A disponibilidade é uma heurística em que as pessoas fazem julgamentos sobre a probabilidade de um evento com base na facilidade com que um exemplo, instância ou caso vem à mente.

Via: Behavioural Economics

Mas o problema de estarmos decidindo na média não para por aí.

Médias são excelentes medidas estatísticas, mas quando avaliadas sozinhas levam a erros grotescos em determinadas situações. Isso é fácil perceber. Veja um exemplo abaixo de um cálculo simples de média com apenas três números:

A) 1+1+1 = 3 e média =1

B) 8+20+50 =78 e média =26

Imagine agora que você fosse tomar uma decisão com base em uma dessas duas médias. No primeiro caso olhando a média você estaria apenas 2 unidades longe dos “resultados reais”. Mas se você utilizar o segundo exemplo, com média 26 você estaria sempre muito longe de cada um dos “resultados reais”.

Resumindo, você teria um desvio grande em torno da média e isso representaria que sua decisão estaria longe dos resultados ótimos. Essa analogia simples, mostra como é possível errar baseando decisões na média. E é exatamente isso que nosso cérebro faz a maior parte do tempo, toma decisões baseadas em média.

Por isso para aquelas decisões que envolvam riscos elevados ou que têm grande impacto para sua vida pessoal, financeira e profissional, é importante estar, às vezes sempre um passo atrás. Quando falo de passo atrás, me refiro não a postergar a decisão, mas adotar comportamentos que obriguem você a refletir muito a respeito.

O Rafael Jordão comenta sempre que o pré-mortem é um ótimo exercício a se fazer antes de uma decisão importante ou planejamento. Ele consiste em resumo, a imaginar que tudo tenha dado errado no planejamento. Adaptando aqui podemos fazer também considerando que tudo tenha dado errado após uma decisão. Depois de pensar nisso e analisar e refletir sobre o impacto se tudo der muito errado, aí sem você terá condições e mais consciência para decidir.

Não é uma regra que garanta pleno sucesso, ou que evite que tenhamos fracassos homéricos. Mas certamente ajuda muito quando pensamos que podemos estar decidindo apenas com base na média. E pode parecer bobagem, mas lembre-se sempre de que se cérebro precisa ter essa dinâmica. Decidir com a média nem sempre é algo ruim e muitas vezes é até necessário.

O que temos que prestar mais atenção é naquelas decisões que envolvem mais risco ou que tem potencial maior de causar um transtorno em nossas vidas, sejam estes transtornos, pessoais, financeiros de carreira ou qualquer outra área.

Um pouco de estatística misturada com decisões e comportamento? Nossa! Espero não ter confundido a cabeça de vocês rsrss.

Até o próximo post!