Consumo de luxo tem sido um dos temas mais discutidos em economia, mas como o comportamento explica essa categoria de consumo? Neste post, nosso mais novo colaborador Quintiliano Campomori, faz um paralelo entre o pensamento de Adam Smith e seu contraponto feito pelas descobertas do matemático John Nash, para explicar um aspecto importante do comportamento de luxo.

Adam Smith e a Lei da Oferta e da Procura

Adam Smith (05/06/1723-17/07/1790), o pai da Economia Moderna e o mais importante teórico do Liberalismo Econômico, escreveu teorias que são aplicadas até hoje no livro a Riqueza das Nações.

Um dos pontos mais relevantes de suas teorias é a Lei da Oferta e da Procura. Resumidamente e de forma bem simples, esta Lei demonstra que os agentes econômicos tomam decisões de preço dos produtos até que ele se equilibre com a quantidade procurada. Quando a oferta aumenta, o preço cai. Quando a demanda aumenta, o preço sobe. O imagem abaixo demonstra graficamente a Lei da Oferta e da Procura.

Mas, isso, você já sabia, não é mesmo? Aí, você me pergunta, qual a novidade? Pois é, de fato não há qualquer novidade em trazer Adam Smith na discussão.

Exceto pela situação de, além ele estar errado quando ele afirmou que “todo indivíduo está continuamente empenhado em descobrir os mais vantajosos empregos para os capitais sob seu comando. É o próprio lucro que ele tem em vista, e não o da sociedade. Porém, ao examinar o que melhor lhe convém, ele naturalmente, ou melhor, necessariamente, acaba preferindo aquele emprego que é mais vantajoso para a sociedade”.

Isto é, os agentes econômicos agem com base nos seus interesses, exclusivamente. Aí, naturalmente ou necessariamente, a sociedade é beneficiada pois a soma de todas as individualidades fará uma sociedade mais próspera.

John Nash e o Equilíbrio de Nash

Adam Smith estava errado! John Nash (13/06/1928-23/05/2015) provou que se cada agente econômico agindo apenas olhando seus interesses pode gerar uma situação em que a soma dos interesses individuais não seja a melhor alternativa para a coletividade.

Um dos ótimos exemplos ilustrados deste Equilíbrio de Nash é uma das primeiras cenas do filme “Uma Mente Brilhante” de 2001, ganhador de 4 Oscars (inclusive o de Melhor Filme). Se você não viu, é uma ótima recomendação.

Consumo de Bens de Luxo

A Lei da Oferta e da Procura leva outro tombo quando analisamos bens de luxo como lanchas, casacos de pele, carros esportivos, relógios de marcas famosas. Pela questão de diferenciação, exclusividade, status e, é claro, um preço altíssimo e pouco acessível à maioria dos meros mortais, quando o preço, por exemplo, de uma Ferrari cai a demanda por ele, também, cai. O contrário, também, acontece: quando o preço sobe (de forma moderada), a tendência é que mais pessoas estejam dispostas a compra-lo.

O raciocínio por trás deste comportamento é de que quando o produto ou serviço está diretamente ligado à ostentação, status, afirmação de um certo poder aquisitivo e o pertencimento a uma certa classe social, o indivíduo tende a condenar a queda dos preços pois com isso mais pessoas poderão adquirir o produto ou contratar o serviço e ele deixará de ser tão exclusivo e um delimitador de pessoas de uma classe social.

E, o aumento de preços, da mesma forma, também faz com se tenha uma procura maior pelo produto ou pelo serviço pois ele se tornará mais exclusivo.

Quem é rico quer provar que é mais rico

Apesar de parecer uma grande maluquice achar bom pagar mais caro por algum produto ou serviço, há uma lógica! Parafraseando o provérbio “A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”, trago o “Não basta ser rico, deve mostrar que é rico!”

Ou seja, mesmo que o poder de compra de uma pessoa seja ultrapassado, importante é mostrar para os demais está tudo bem e que a vida financeira está a plenos pulmões.

Manter um padrão de vida alto e incompatível, além de tudo, afeta a qualidade de vida. Quem tem dívidas que fazem perder o sono, são mais estressadas, preocupadas e inseguras. A saúde física e mental são comprometidas.

Buscar a qualidade ao invés do padrão é a quebra de um paradigma social em que se troca uma busca sem fim por realização através de bens e serviços caros e exclusivos por uma busca cíclica, assim como as estações do ano, que nos deixa mais felizes, nos faz sentir realizados internamente e com as outras pessoas!