Relatório do eMBeD trás mapa de Unidades Comportamentais pelo mundo que fazem aplicação de Economia Comportamental em políticas públicas.

Publicado pelo Banco Mundial pela equipe científica comportamental – Unidade de Mente, Comportamento e Desenvolvimento (eMBeD) o Relatório intitulado: Behavioral Economics Around World (Economia Comportamental ao Redor do Mundo) com o perfil de dez países e suas aplicações em Economia Comportamental.

O relatório traz nada menos do que um resumo abrangente de unidades de insights comportamentais em todo o mundo, com foco em políticas públicas e as divide basicamente em três tipos diferentes de estruturação.

– Centralizada: onde o governo centraliza as ações e direciona os esforços das políticas públicas, tendo sido criada uma espécie de gabinete ou pasta que faz a interface com demais áreas do governo para desenvolvimento das políticas com aplicações de Economia Comportamental. Um dos exemplos citado neste caso no relatório é a Alemanha.

– Descentralizada: quando vários setores do governo conduzem seus próprios projetos de aplicação de insights comportamentais de forma independente e sem um direcionamento formal do governo. Exemplo citado no relatório é o caso do BIT (Behavioural Insighs Team) no Reino Unido.

– Rede: Semelhante ao modo descentralizado, mas neste caso o Governo provocou a abordagem nos ministérios incentivando os ministérios a formarem suas equipes próprias, porém tendo um coordenador comum. O caso exemplificado foi o da Holanda, onde os ministérios criaram seus times de trabalho e ficaram sob coordenação do Ministério de Assuntos Econômicos.

Além de avaliar como as unidades governamentais de insights em Economia Comportamental se estruturam o documento traz ainda:

Os detalhes de alto nível de cada unidade estabelecida globalmente, incluindo como eles estão estruturados, seus objetivos, atividades principais e, muitas vezes, funcionários e orçamento também. À medida que mais e mais formuladores de políticas se interessam em estabelecer unidades de insights comportamentais, esperamos que isso forneça informações úteis sobre como outras pessoas fizeram com que funcione em diversos contextos de países e governos e sobre os projetos que foram particularmente bem-sucedidos.

eMBeD - Banco Mundial

ECONOMIA COMPORTAMENTAL APLICADA A POLÍTICAS PÚBLICAS

A Economia Comportamental tem sido questionada enquanto seus resultados em todas as áreas, particularmente em relação aos resultados para políticas públicas da aplicação de insights comportamentais.

O relatório menciona a crítica e aborda o amadurecimento da aplicação da Economia Comportamental de maneira direta transparente, apontando como análise a “Hype Cycle”, da Gartner, de adoção da inovação para demonstrar onde acreditam estar a aplicação de insights em Ciência Comportamental atualmente. Gráfico abaixo:

Fonte: eMBeD – Relatório BEHAVIORAL SCIENCE AROUND THE WORLD, 2019.

Como é possível ver pelo gráfico, os autores argumentam que atualmente a aplicação de insights caminha para amadurecimento após uma fase esperada de críticas, que também é necessária para aprimoramento e consolidação das descobertas científicas. Em resumo, nada mais do que ciência em evolução.

O destaque principal do relatório são os dados coletados. Nele é possível ver para os dez países selecionados cada unidade de insights criada, seus objetivos, organização de pessoal e atividades desenvolvidas.

Constam no relatório os seguintes países: Austrália, Canada, Dinamarca, França, Alemanha, Holanda, Peru, Singapura, Reino Unido e EUA.

Notaram que o Brasil não aparece não é mesmo?

Fica aqui um bom ponto de atenção para todos que estudam ou desenvolvem projetos baseados em Economia Comportamental. O recado é que os esforços já vistos por aqui de instituições como CVM que promove o Seminário de Finanças pessoais e demais esforços privados já consolidados com consultorias como o In Behavior Lab que recentemente realizou consultoria com aplicação de Economia Comportamental para a Heineken. O vídeo de divulgação da aplicação segue abaixo:

Já disse uma vez aqui em algum de meus posts que existem duas justificativas principais para motivar a implantação de insights comportamentais para políticas públicas:

– Em geral são ações de baixo custo que promovem resultados substanciais.

– Os resultados são mensuráveis e transparentes facilitando a verificação da eficácia das ações implementadas.

É claro que existem muitas outras razões e que acompanha os posts aqui no Geekonomics já tem um bocado delas em mente com certeza, mas isso é assunto longo e, portanto, fica para um próximo post.

E para quem quiser ler o relatório Mind, Behavior, and Development Unit (eMBeD) na íntegra, só clicar no botão abaixo.

OUTROS DESTAQUES RETIRADOS DO RELATÓRIO

– Existem pelo menos 202 entidades públicas em todo o mundo que aplicam conhecimentos comportamentais às suas políticas (OECD, 2018);

–  O Ministério da Educação do Peru criou o laboratório de inovação MineduLab em abril de 2016 para abordar desafios relacionados à educação, como absenteísmo dos professores, motivação dos professores, melhoria do desempenho dos alunos, aumento do engajamento dos pais e redução das taxas de desistência;

– Temos observado dois tipos de abordagens para o desenvolvimento da ciência comportamental no âmbito governamental: uma abordagem estruturada e uma abordagem orgânica e orientada para as pessoas.

– Na abordagem estruturada, uma unidade ou equipe é formalmente estabelecida dentro de uma entidade governamental e é reconhecida como parte de sua estrutura organizacional. Os exemplos incluem a Equipe de Insights Comportamentais do Ministério de Infraestrutura e Gestão de Recursos Hídricos na Holanda, a Equipe de Economia Comportamental do Governo Australiano (BETA) e a unidade de Economia Comportamental e Ciência de Dados da Financial Conduct Authority no Reino Unido.

– A abordagem orgânica e orientada para as pessoas ocorre quando os indivíduos dentro do governo implementam uma intervenção comportamental informada, com ou sem o apoio de parceiros externos. Os exemplos incluem o Ministério da Saúde, Assistência Social e Esporte na Holanda, o Ministério do Desenvolvimento Social e Familiar em Cingapura e o Ministério da Indústria, Comércio e Assuntos Financeiros da Dinamarca.

Não vou colocar os destaques de cada país aqui, acho mais simples que eles sejam lidos no próprio relatório. Mas se você tiver alguma dúvida ou quiser alguma explicação adicional, manda seu comentário aqui no post que responderemos com o maior prazer.

Até a próxima Geeks!