Futuro da educação e ensino on-line - Geekonomics
Opinando

Futuro da educação e ensino on-line

A pandemia chegou para mudar em definitivo os paradigmas de educação. Muitos tem alardeado por aí que o ensino passará por uma grande transformação e que esta, foi acelerada pela COVID-19. O ensino on-line já vinha crescendo e se consolidando em pós graduações pelo mundo e também em plataformas com cursos on-line ministrados pelos mais diversos tipos de instrutores e professores.

Mas a pandemia forçou as escolas a transformarem seus negócios. Muitas se viram obrigadas a desenvolver estratégias digitais para manter seus alunos e suas receitas. Enquanto pais se perguntavam se estaria este ano letivo perdido, esforços foram empenhados para colocar as escolas on-line.

Desde escolas de línguas, passando pelo ensino fundamental e médio e chegando ao ensino superior e pós graduações, a mudança chegou e chegou para ficar. Até mesmo teses de doutorado têm sido defendidas on-line.

Nesse movimento a princípio sem volta, muitos reforçam os benefícios, outros agradecem termos tecnologia para manter os alunos estudando, mesmo estando isolados em casa. Mas o que pode ser de imediato a salvação para o setor de educação, pode também esconder riscos à estrutura atual do setor de educação hoje ainda muito decentralizado e regionalizado.

Não quero ser pessimista aqui, nem muito menos desestimular profissionais da educação a seguirem com seus projetos de ensino, a ideia é justamente fazer um contraponto e mostrar que novos e duros desafios aguardam profissionais do ensino logo ali na esquina.

Futuro da Educação, autoridade e marketing

No ano passado, se não me engano, fui surpreendido com uma publicidade onde determinada escola de pós graduação que mostrava cursos onde personalidades de destaque em suas áreas de atuação apareciam como “professores”. Eram nomes expressivos das áreas relacionadas aos cursos. Um dos destaques me chamou a atenção em especial, era a foto do Daniel Kahneman constando como um dos professores do curso voltado para Ciências Comportamentais.

Nem preciso falar do apelo que esse tipo de estratégia tem, né?

futuro da educação - kahneman

Imaginem a pessoa recebendo uma publicidade para entrar num curso on-line onde um dos professores é simplesmente um dos maiores pensadores da área de estudo? É um argumento de venda surreal, sem dúvidas.

Futuro da Educação: um alerta

É aqui que cabe um alerta a todos que hoje estão no mercado da educação.

Na medida em que o ensino migra cada vez mais para o ambiente on-line, haverá sem dúvidas uma expansão da concorrência, que necessariamente não precisa mais respeitar distâncias para entregar ensino de qualidade. Uma escola pode muito bem oferecer aulas estando ela situada onde quiser, ou mesmo sem sequer possuir uma unidade física como as que conhecemos hoje.

Essa concorrência irá acirrar ainda mais a competição pelos alunos e nesse sentido, como já ocorre em muitas cidades, professores referência, seja pela sua didática, experiência, conhecimento ou até mesmo pela sua fama em ser o que mais aprova, o que mais entende, melhor explica, etc.

A questão é que estando on-line, estes profissionais terão que enfrentar uma competição ainda mais acirrada, onde se diferenciar pode ser um desafio praticamente impossível de vencer para alguns.

futuro da educacao - competicao 2

Outra variável é a reputação da escola. Aqui, grandes centros de ensino que são famosos ao redor do mundo, certamente terão vantagem ao competir com pequenos players locais. Eu penso como seria a competição de uma universidade brasileira regional, com grandes universidades como Oxford, Harvard, MIT e muitas outras.

Não que nossas universidades tenham menos capacidade ou que sejam piores. Em termos de capacidade não há diferença. A grande diferença está nos fundamentos, organização e contexto.

Hoje esse fator não pesa tanto, na medida em que, apesar de já haver cursos on-line, ainda há muita restrição na oferta de temas e áreas de ensino, bem como restrições ao idioma e até mesmo financeiras para um estudante aplicar para estes grandes centros de ensino pelo mundo.

Atualmente questões sobre referência local do ensino, preço e localização têm grande peso para decisão de qual curso contratar ou em qual colégio / universidade se matricular. No futuro pode ser que estas variáveis deixem de ser relevantes para a decisão se os cursos forem massivamente migrados para plataformas on-line.

Vale ainda destacar que migrando para plataformas on-line, haverá muito menos necessidade de professores, afinal o limite de alunos por turma passará a não fazer sentido. Uma aula pode ser transmitida para milhares de pessoas ao mesmo tempo sem que isso demande mais dos professores.

A respeito das dúvidas e acompanhamento de dúvidas ou perguntas, a inteligência artificial está aí com seus robôs e o Google já nos dias atuais tem resolvido boa parte das dúvidas, não apenas de alunos, mas de todos os seres humanos. Isso vale também para a barreira do idioma.

Enfim, parece estar em curso uma espécie de seleção natural no mercado de educação em que os mais adaptados, podem ser os únicos sobreviventes no mercado. O que faremos com todo o contingente de bons educadores e professores, fica difícil de saber.

No entanto é fato que na educação, o mercado de trabalho passará por grandes transformações e pode ser um daqueles que eliminarão boa parte dos postos de emprego no futuro.

Como economista frustra não ter solução para evitar esse tipo de destino ao mercado de educação e a tantos outros em risco atualmente, devido a esse novo sistema de organização social que estar por vir e para o qual ainda não há a menor ideia do que fazer quando chegar.

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Anderson Mattozinhos

Anderson Mattozinhos

Economista, bookaholic, tecnófilo e jogador inveterado de videogames.

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