Economia Comportamental

Pense como um Freak: incentivos e comportamento

Penjse como Freak incentivos e mudança de comportamento

Sempre que termino uma leitura gosto de voltar algum tempo de depois para rever minhas marcações e anotações. Com Think Like a Freak (Pense como um Freak) resolvi revisar essas anotações hoje e aproveitei para postar aqui.

O livro tem uma relação enorme com a Economia Comportamental e à época que li, não tive essa percepção. Mais especificamente, tem muito do pensamento que acredito ser necessário para planejar experimentos e intervenções comportamentais.

Publicado em 2014 no Brasil, não tive a perspicácia à época de relacionar com a Economia Comportamental, até mesmo porque ainda me debatia com uma espécie de negação pelo Nobel do Kahnenan e lutando para entender mais de psicologia. Àquela época, ainda vacilava em defender a Economia Comportamental como proeminente campo de estudo das Ciências Econômicas.

Como vocês podem ver, superei já rs e hoje acredito mesmo que a Economia Comportamental é um dos campos mais relevantes para a Ciência Econômica como um todo.

Para quem não reconheceu, os autores de: Pense como um Freak, são os mesmos do grande sucesso editorial Freakonomics. Não é segredo que um dos grandes motivos para ter criado o Geekonomics veio da leitura e acompanhamento dos autores Stefen D. Levit e Stephen J. Dubner. O pensamento e a forma como eles abordam temas econômicos é inspirador!

Neste post, no entanto quero destacar apenas dois pequenos trechos livros. Ambos tratam de recompensas e incentivos. Dois temas mais do que relevantes para quem estuda e pretende aplicar Ciências Comportamentais na prática.

O primeiro trecho trás uma passagem em que os autores relatam uma lenda contada sobre a época em que a índia fora colonizada pelos ingleses. Nela mostram como políticas, mesmo bem intencionadas, podem criar incentivos que produzem resultados contrários aos desejados. Vamos ao trecho, abaixo:

“Infelizmente as recompensas cujos efeitos saem pela culatra não são tão raras quanto se poderia pensar. O fenômeno às vezes é conhecido como “efeito cobra”. Reza a lenda que um colonizador britânico na Índia considerava que havia cobras demais em Déli, e ofereceu um prêmio em dinheiro para cada pele de cobra. O incentivo funcionou – tão bem, na verdade, que gerou uma nova indústria: as fazendas de criação de cobra. Os indianos começaram a criar e abater cobras para receber o prêmio, que acabou sendo suspenso – quando então os criadores de cobras fizeram o que parecia lógico, libertando-as…” (Pense como um Freak, Stefen, D. e Dubner, 2014 pág. 131.)

pense como um freak - incentivos

Interessante como é comum esse tipo de resultado inesperado quando programamos alguma intervenção comportamental. Eu mesmo pude verificar alguns semelhantes quando elaborei meu experimento para o MBA de Economia Comportamental.

Incentivos um exemplo inspirado no Pense como um Freak

Trabalhar com incentivos não é tarefa simples e merece atenção para que boas intenções não se transformem em verdadeiros desastres. As pessoas respondem a incentivos, é verdade, mas a resposta nem sempre é aquela que esperamos, então é preciso testar antes de escalar experimentos que tenham algum tipo de inventivo à adoção de algum comportamento que se deseja incentivar.

Certa vez criei uma espécie de experimento para incentivar meus colegas de trabalho a se engajarem no estudo de uma norma para a qual a empresa estava buscando certificação. Eu criei um game na empresa de perguntas e respostas e premiava as pessoas pelos mais diferentes modos, rapidez em responder, qualidade da resposta (acerto e detalhamento) e muitas outras.

Aqueles que pontuavam mais a cada rodada, ganhavam um badge (espécie de medalha) e todos que ganhavam iam para um mural de honra pelo mérito. Ao longo de três meses teríamos ainda um badge especial aos três colaboradores que mais pontuassem.

O incentivo deu tão certo que ao final do terceiro mês tivemos que interromper por excesso de engajamento rsrsr. Os colaboradores competiam tão fervorosamente por cada badge que acabavam esquecendo sobre como aplicar os conhecimentos às suas tarefas cotidianas. Sem contar que a competição drenava tanto a atenção deles que a produtividade caiu e houve tanto interesse para o jogo que não conseguimos estrutura na empresa para dar conta das expectativas.

Dicas de Pense como um Freak para criação de incentivos

“1 – Descubra o que realmente é importante para as pessoas, ignorando aquilo que dizem que é importante.

2 – Incentive-as nas dimensões que são importantes para elas, mas que podem ser facilmente proporcionadas por você.

3 – Preste atenção à maneira como reagem; se ficar surpreso ou frustrado com suas reações, trate de aprender com elas e experimente algo diferente.

4 – Sempre que possível, crie incentivos que alterem a estrutura, de antagônica para cooperativa.

5 – Nunca, em hipótese alguma, pense que as pessoas farão algo simplesmente porque é a coisa “certa”.

6 – Saiba que certas pessoas farão tudo que estiver ao seu alcance para manipular o sistema, encontrando maneiras de vencer que você jamais poderia imaginar. No mínimo para preservar sua própria sanidade mental, tente aplaudir sua engenhosidade, em vez de amaldiçoar sua cobiça.”
(Pense como um Freak, Stefen, D. e Dubner, 2014 pág. 133.)

Dicas preciosas sem dúvida e muito aplicáveis quando pensamos em experimentos para mudança de comportamento.

Espero que estas dicas tenham sido tão boas para vocês quanto foram para mim. Relembrá-las neste momento em que tenho estudado Experimentos em Ciências Comportamentais foi espetacular. Com certeza quando for pensar em algum Nudge ou intervenção que tenha incentivos envolvidos, vou lembras dessas dicas.

Até a próxima geeks!

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About the author

Anderson Mattozinhos

Anderson Mattozinhos

Economista, bookaholic, tecnófilo e jogador inveterado de videogames.

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