Economia Comportamental

Selic e Economia Comportamental

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A Selic tem uma função de certa forma oculta para a economia;

Mas antes…

Temos uma novidade aqui! Esse post pode ser lido ou assistido. O vídeo que foi postado em nosso canal do YouTube segue abaixo. Mas se você preferir ler.. Fique a vontade, o texto segue logo em seguida!

Selic moda expectativas dos investidores na medida em que é o principal referencial de rentabilidade livre de risco da economia brasileira

Livre de risco porque títulos do governo são considerados muito seguros e livres do risco de calote, pelo menos atualmente no Brasil, já que tivemos um histórico de calotes no passado e até mesmo confisco de depósitos à vista, que tendem a ser 100% seguros. Imagina se alguém disser para você que um dia o Banco pode simplesmente resolver não deixar você sacar seu dinheiro que está depositado na sua conta corrente ou poupança?

Pois é! Tal como jabuticaba, no Brasil isso também já aconteceu, mas isso é outro assunto. A MMT fala que títulos públicos são praticamente livres de risco, pois dificilmente um governo dá calote em sua própria moeda. Mas eu acabei de dizer que o Brasil deu calote no passado, certo? Sim, mas o calote foi da dívida externa. Basicamente dever em moeda estrangeira (dólar, peso etc.) é diferente porque se você não conseguir comprar moeda estrangeira, você não consegue dinheiro para pagar e aí resta o calote, né.

As coisas não são tão simples assim, pois você pode pensar que é só emitir dinheiro próprio na quantidade que for e comprar a moeda estrangeira. Mas chega um ponto que as pessoas desconfiam tanto da moeda e do governo, que ela perde seu valor. Então nesse momento a dinheiro algum as irão querer trocar moeda estrangeira por moeda local. Olha o que aconteceu na Argentina!

Mas essa história de moeda é papo para outro vídeo né? Hoje o assunto é a queda da SELIC para 2.25% ao ano!

Nossa é baixo né? Sim o mais baixo patamar ever!

selic e economia comportamental - grafico

Eu comentei que a Selic tem uma função oculta para a economia brasileira. Quase ninguém lembra de refletir sobre essa função. Eu até escrevi um post, faz tempo lá no geek sobre isso. Inclusive toda vez que leio tenho vontade de reescrever rsrsrsrs. Apesar de não tão bem escrito o post tem seus méritos na reflexão sobre a Selic e demais taxas referências na economia. A Selic tem um papel que é de ancorar os investidores. Ela ancora, pois sendo o ativo livre de risco, sempre será um marcador a balizar as expectativas de retorno dos investidores com base em seu perfil de risco e apetite por rentabilidade.

Funciona assim: se eu sou investidor, haverá sempre uma escolha implícita quando penso em qual seria o meu portfólio adequado de investimento. Essa escolha basicamente funciona assim: quanto maior o risco, maior a chance de retorno. Quando menor o risco, menor a chance de retorno. Com a Selic em 2.25% pessoas avessas ao risco podem ser ancoradas por aplicações mais agressivas, tendendo a arriscar mais na montagem de seus portfólios e isso é até natural. Preocupa, no entanto, quando essa opção por tomar mais risco, acontece num momento onde a economia encontra-se em extrema dificuldade e lentidão.

Quem acompanha a bolsa brasileira sabe que o tombo causado pelo “fechamento da economia” causado pela pandemia do covid-19, não foi pequeno. Algo em torno de 26% na média! Média viu gente! Ou seja, foi muito pior em alguns casos e talvez um pouco menos ruim em outros. Fato é que quando investidores estão recebendo tão pouco em seus investimentos livres de risco e são incentivados a tomar mais risco (perdas vs ganhos) melhorar, pode haver um comportamento um tanto danosa na alocação de investimentos.

E o Bitcoin, o que tem a ver com tudo isso?

Bitcoin é um exemplo. Uma aposta (me recuso a chamar de investimento) numa moeda virtual extremamente incerta, mas que pode se mostrar talvez como uma forma de recuperar parte da rentabilidade perdida.

Por isso uma Selic tão baixa, pode levar a decisões muito equivocadas, levando pessoas que são mais avessas ao risco a arriscar mais.

Não haveria problema nisso, se fosse em outro momento, mas as chances de que essa pessoa tenha rendimentos negativos fora da renda fixa, por exemplo, pelo simples fato de que opções de mais riscos variam ou oscilam mais é enorme.

E as chances de que impactadas com perdas “normais” essas mesmas pessoas que continuam avessas ao risco, entrem em pânico e resolvam vender seus ativos mais arriscados, mesmo estando os mesmos desvalorizados. E aqui elas fizeram apenas é piorar sua situação financeira, nada mais!

Somos muito mais impactados psicologicamente por perdas que por ganhos e isso pode nos atrapalhar em todos os contextos, basta que tenhamos a perspectiva errada em cada situação.

Selic e Economia Comportamental: um exemplo para ilustrar

Se pensarmos que estamos perdendo dinheiro deixando nosso investimento em renda fixa com Selic a 2,25% ao ano, avaliaremos ser melhor arriscar mais, afinal de contas estamos perdendo rentabilidade em aplicações mais arriscadas (deixa de ganhar é bem diferente de perder)

Ao migrar podemos pensar que estamos ok com nossa decisão se o ativo não oscilar demais, mas isso é impossível de acontecer, afinal ativos mais arriscados oscilam mais! Assim nessa constante montanha russa de oscilação, perdas serão mais frequentes e salientes do que ganhos. Ativos de risco geram retorno a longo prazo. As vezes nem geram a longo prazo também rsrsrs

Mas lembre-se disso! Longo prazo! E ver perdas nos investimentos com as oscilações não é a forma mais agradável de passar o tempo. Então forçando um pouco o conceito de percepção de tempo aqui, vale dizer que um período curto visualizando rentabilidades negativas na carteira mais arriscada, pode fazer com que uma semana pareça um ano! Entenderam a ideia?

Experiências negativas, dores, desconforto, pode mudar nossa percepção de tempo e isso pode levar a decisões equivocadas como não entender que longo prazo é algo no mínimo de 5 a 8 anos quando se fala em ativos financeiros. Então cuidado ao se posicionar com a nova Selic a 2.25% Lembre-se de avaliar as alternativas e seus riscos, bem como pensar bastante sobre o quão tolerante você pode ser às oscilações.

Ficou meio autoajuda aqui né? Vou ajudar a melhorar isso um pouco.

Olhe para seus investimentos e pense como seria ter de juntar todo esse dinheiro que você tem novamente começando de hoje! Reflita todos os apertos e renúncias que você fez ao longo de sua vida.

Depois dessa reflexão, lembre-se que isso pode acontecer agora se você tomar alguma ação por impulso ou sobre a perspectiva errada do momento. Lembre-se que deixar de ganhar é diferente de perder em determinados contextos. Talvez seja menos ruim deixar de ganhar agora do que arriscar perder tudo ali na frente. Principalmente se falamos de apostas mais arriscadas como Bitcoin por exemplo.

E lembre-se ainda de que você deve olhar rentabilidade descontando a inflação, para não ter ilusão monetária e descontando as taxas, impostos etc., mas isso é tema para outro vídeo!

Até a próxima geeks!

About the author

Anderson Mattozinhos

Anderson Mattozinhos

Economista, bookaholic, tecnófilo e jogador inveterado de videogames.

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