Economia Comportamental: Razão vs Emoção - Geekonomics
Economia Comportamental

Economia Comportamental: Razão vs Emoção

economia comportamental-razao-emocao

Novo vídeo no canal do Geekonomics no YouTube!

O vídeo segue abaixo e depois dele tem o texto que serviu de base para o roteiro para quem preferir ler.

É muito explorado pela Economia Comportamental a questão de os modelos econômicos utilizarem simplificações do comportamento humano. A simplificação mais comum é o que em economia chamamos de Homo Economicus ou Homem Econômico.

O Homo Economicus seria nada mais do que uma forma de apelidar a simplificação dos comportamentos dos homens comuns presente nos modelos econômicos. Assim sendo, o Homo Economicus, é uma simplificação, pois considera que os seres humanos são racionais, calculistas e maximizadores de seu bem estar ou utilidade.

E hoje é exatamente sobre essa simplificação que resolvemos gravar com algumas reflexões sobre razão e emoção e também como isso interfere na Ciência Econômica e claro, quais as contribuições da Economia Comportamental para esse debate. O vídeo está disponível acima e também no nosso canal do YouTube!

Logo abaixo segue texto com mais informações e  alguns complementos à aquilo que comentei no vídeo.

Aproveitem!

homo-economicus-geekonomics

Criar e trabalhar com modelos econômicos não é tarefa fácil, mas em ciência não existe tarefa fácil. E não fácil, pois não se trata de fenômeno natural, não é como medir a força da gravidade. Em economia pressupomos comportamentos das pessoas e sabemos muito bem que não há determinismo quando falamos em comportamento, pessoas e todas as demais variáveis que interferem, por exemplo na tomada de decisão.

Em economia como em nossas vidas, o comportamento parece se resumir a uma eterna luta entre o racional e o emocional. Os modelos econômicos, como já disse acima, trabalham com simplificações e estas, simplificam os comportamentos, para permitir que seja possível alguma análise.

É intuitivo pensar que sempre estamos buscando aquilo que é melhor para nós ou em linguagem econômica, estamos sempre buscando maximizar nosso bem estar ou nossa utilidade.

Dessa forma qual motivo em se criticar os modelos econômicos então?

Não é obvio que sempre desejaremos maximizar nosso bem estar?

Não é obvio que se nos perguntarem vamos sempre preferir mais prazer e menos dor?

A realidade como algum cientista, que não lembro o nome, já disse:

“A realidade não é transparente.”

Pare um minuto para refletir comigo. Se fossemos sempre buscadores pragmáticos e racionais de nosso bem estar, não haveria por exemplo consumo de itens que fazem mal à saúde.

Não seríamos tão negligentes com nossas finanças, não aceitaríamos pagar juros para antecipar consumo ou ainda, não permitiríamos gastar mais do que recebemos em sob nenhuma hipótese.

Não adotaríamos comportamentos de risco ou atitudes que pudessem nos causar dor ou nossa vida em risco.

Mas, se você é humano, sabe que estamos bem longe de sermos maximizadores do nosso bem estar. É claro que muitas vezes agimos de maneira impulsiva ou até meio inconsciente. É fato também que hormônios e toda bioquímica do nosso organismo atua, por vezes mais, por outras menos, influenciando em nossos comportamentos e decisões.

Há até uma certa intriga (entre aspas) que questiona se realmente temos domínio de nossas decisões, ou se elas não seriam apenas o resultado de uma série de combinações entre reações bioquímicas, elétricas etc. Mas isso é tema para outro vídeo.

Então voltamos ao ponto inicial.

Sim, a racionalidade presente no pressuposto do Homo Economicus é uma simplificação.

A humanidade e a ciência econômica parecem ansiar pela racionalidade

Exemplos desse desejo estão presentes por toda parte. Desde a própria revolução científica ou século da razão e da luz, passando pela literatura, teatro e cinema, não são raros os modelos de racionalidade que permeiam as pautas e nos fazem refletir, ou algumas vezes nos embriagam com a ideia de que somos seres superiores racionais.

Um dos modelos mais emblemáticos de racionalidade é o Sr. Spock de Star Trek. É emblemático, pois representa em si mesmo a utopia da racionalidade e nos faz questionar se realmente desejamos ser racionais ao extremo como o Sr. Spock.

É emblemático por ser um paralelo quando comparado com os “humanos” muito emocionais e nada razoáveis quando avaliados em suas decisões, ainda mais se a avaliação for sob a ótima da maximização da utilidade ou do bem estar. Nesse ponto a definição mais aceita é a de racionalidade limitada.

racionalidade limitada - geekonomics

Muitos são os exemplos dessa luta entre razão e emoção em todas as áreas. Uma herança quem sabe da filosofia grega em que emoção tinha uma interpretação um pouco diferente e pejorativa e nome diferente também. Naquela época era comum denominar emoção por paixão.

E foi assim que filósofos como Platão tratavam as emoções, como paixões que afastavam os homens de sua conduta moral e os aproximava das trevas.

São muitos os exemplos dessa luta entre razão e emoção na cultura, ciência e religião.

Alguns exemplos geeks da minha época…

Shelolock Holmes vs Watson (é Elementar!)

Sr. Spok vs Capitão Kirk

Dr. House vs Dr. Wilson – House MD

Mundo vs Sheldon Copper – Big Bang Theory

Pete Maverick vs Iceman, Top Gun

Hulk vs Bruce Banner – Avangers

Alfred vs Batman

Mas o que realmente devemos desejar: a humanidade da razão ou a indiferença da razão?

Encontrei uma resposta que me satisfez no professor de Filosofia Patrick Grim, ele disse o seguinte:

“Qual é a resposta? As emoções são inimigas da razão, devem ser subjugadas e suprimidas, ou as emoções devem estar no controle? Essa questão representa uma falácia lógica, chamada de “falso dilema”. Um dilema falso depende de uma configuração falsa de problemas, com apenas duas opções; quando, na verdade, essas não são as únicas opções. Nesse caso, precisamos de razão e emoção – racionalidade fria e pensamento quente.”

Nesse ponto vale ainda destacar que da mesma forma em que há um dilema falso na escolha entre razão ou emoção, há também um falso dilema quando confrontamos a Economia Tradicional com a Economia Comportamental. Não precisamos escolher uma ou outra.

A Ciência Econômica certamente estará muito melhor se fizer uso de ambas as áreas e descobertas. Razão e Emoção é a resposta da mesma forma que para Ciência Econômica, acredito ser a resposta tanto a economia tradicional como a comportamental. Para que escolher? Usemos as duas em prol da evolução e crescimento da Ciência Econômica.

Até a próxima Geeks!

About the author

Anderson Mattozinhos

Anderson Mattozinhos

Economista, bookaholic, tecnófilo e jogador inveterado de videogames.

Instagram

Invalid username or token.

Fique Atualizado

Categorias

Gostou desse conteúdo?

Se cadastre na nossa newsletter e não perca mais nada! Receba notícias, novidades sobre Economia Comportamental e atualizações de novos posts.

Você se cadastrou com sucesso!