De repente trinta: insights sobre comportamento - Geekonomics
Economia Comportamental

De repente trinta: insights sobre comportamento

De repente trinta: insights sobre comportamento-dance

Nem tudo são flores quando estamos de home office. Essa frase, não se preocupe, mas você vai entender ela mais à frente no post. Vai entender também o que isso tem a ver com o título: De repente trinta: insights sobre comportamento.

Mas se você for que nem eu, talvez goste de refletir sobre determinados assuntos quem tem, a primeira vista, mais ligação com entretenimento do que com ciência.

É verdade que estes são dois mundos bem distintos. Ciência e entretenimento nem sempre estão de mãos dadas, isso porque no mundo de entretenimento quem comanda é a criatividade e não os evidências científicas.

Teve um tempo em minha vida em que passei a desprezar o entretenimento. Nesse mundo cheio de informação, onde a informação e conhecimento crescem muito mais rápido do que conseguimos absorver as novidades passei um tempo pensando que entretenimento fosse perda de tempo.

E foi então que passei a consumir apenas conteúdos técnicos

Nem preciso dizer que foi um tremendo erro. Isso porque a ficção presente no entretenimento por suas altas doses de criatividade, nos leva a lugares tão maravilhosos que inspiram o lado técnico a pensar de forma inédita e não linear.

Eu realmente acho que a ficção, o entretenimento e tudo aquilo que é conteúdo relacionado à cultura e não necessariamente conteúdo técnico é de extrema importância para nosso aprendizado. E isso não é apenas por aguçar nossa criatividade.

Os tempos estão estranhos. Temos estado mais isolados do contato e isso certamente terá impacto em nossas emoções e na forma como enxergamos e percebemos as coisas. Antes de se culpar por desejar ou consumir mais entretenimento do que conteúdo técnico, pense mais a respeito.

Ficção, artes, música, filmes e séries são sim resultados da imaginação de seus criadores. São também invenções e contém altas doses de exageros. Apesar de tudo isso, refletem experiência de seus criadores. Experiência essa que ao contrário, não tem nada de subjetivo. Experiência que não é inventada nem faz uso de exageros. É apenas a vida real!

Por tudo isso, as produções estão contaminadas com a mais pura realidade. Cabe ao expectador ou leitor estar atendo para reconhecer e decodificar aquilo que inspirou essa realidade nos trabalhos que assiste ou lê.

De repente trinta: insights sobre comportamento

Lembra da frase no início do post? Eu dizia que nem tudo são flores quando estamos trabalhando em home office. Isso é verdade. Mas é também verdade que o home office nos permite certas coisas que no trabalho formal não tem espaço.

Foi num desses dias de home office que tive alguns insights interessantes sobre imitação. Concentrado numa tarefa que não lembro mais qual seria, eu escutei a TV que passava o filme: De repente trinta.

O filme trata de uma menina de treze anos, que num passe de mágica acorda trinta anos depois. O típico roteiro desses filmes que passam, à tarde naquele horário em que a classificação é livre.

Assistindo eu acabei lembrando de duas coisas que em Economia Comportamental estamos sempre debatendo e pesquisando: imitação e planejamento de longo prazo.

Imitação é um dos assuntos que mais me atrai em Economia Comportamental. Tecnicamente é conhecido como Prova Social ou como comportamento interdependente. Um dos exemplos clássicos é a moda.

No fundo as pessoas se identificam com certa tendência ou estilo de moda e por isso adotam esse estilo ao se vestirem. Mas isso não tem apenas relação o gosto pessoal ou preferência. Tem muito a ver com nosso desejo de pertencer e ser reconhecido como pertencente de determinado grupo social.

Esse desejo de pertencimento pode ter infinitas causas. Mas o certo é que a adoção desse ou daquele estilo relacionado à moda, ocorre por haver interdependência entre o que a pessoa deseja expressar com seu comportamento, o atendimento às suas próprias necessidades e o que as pessoas do grupo têm de expectativas para a forma como a pessoa deveria se comportar (vestir no exemplo sobre moda).

Comportamentos interdependentes são muito difíceis de avaliar. Isso porque nem sempre está claro o que motiva o comportamento. Diferente do que se pensa, não é simples determinar se o comportamento imitado ocorre na verdade por pressão social, desejo de pertencimento, comportamento de manada ou outro motivo qualquer. Daí a dificuldade!

Neste caso, analisar o que realmente motiva o comportamento deve ser o primeiro passo, antes que se pense em intervenções para direcionar ou alterar o comportamento. Isso porque pode ser que haja confusão de interpretação.

No filme De repente trinta a cena em que a protagonista dança Thriller é um exemplo interessante. Apesar não pertencer efetivamente àquela geração, a protagonista se vê numa festa desanima e é desafiada a animá-la.

De repente trinta: insights sobre comportamento-dance

O interessante é que após ela iniciar de forma meio cômica a dança coreografada, diversas outras pessoas a imitam e passam a participar da dança. As pessoas engajam nesse tipo de comportamento porque:

O comportamento satisfaz suas próprias necessidades. A maioria das pessoas que vão a uma festa, deseja m se divertir. Então, participar da dança é uma forma de se enturmar e ao mesmo tempo atingir o que se deseja na festa: diversão.

Porque as pessoas que lembram da música (rede de referência na festa), se identificam com aquele momento onde a música fez sucesso e acabam desejando reviver com a turma, neste caso, a turma são as pessoas da mesma época que dividiram bons momentos com aquela música no passado.

Porque numa festa, ninguém quer se identificado como desanimado, depressivo ou deslocado. Temos necessidade de nos coordenar com as pessoas. Em uma festa, essa coordenação é ainda mais importante, pois não se diverte sozinho em uma festa. Então as pessoas esperam que numa festa todos busquem diversão e isso satisfaz tanto a necessidade individual de cada um como as expectativas do grupo.

Está achando a conversa meio torta?

A ideia era mostrar que entretenimento pode ser também uma excelente fonte reflexão técnica. Claro que só se habilita a esse tipo de reflexão quem tem bagagem técnica para fazer as devidas associações entre a teoria e o filme, a pintura, a música e muitos outros.

Então acho que você já entendeu a ideia né?

Equilíbrio é a palavra de ordem. Cuidado com o consumo ostensivo de material técnico. Ele pode te deixar distante do mundo real das pessoas e das conexões com suas experiências e histórias.

Até o próximo post!

PS: Eu parei de trabalhar para assistir ao filme rs. Mas não foi folga, porque tive que compensar as horas depois trabalhando até mais tarde rsrsrs. Ah o home office!

 

About the author

Anderson Mattozinhos

Anderson Mattozinhos

Economista, bookaholic, tecnófilo e jogador inveterado de videogames.

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