Eleições, comportamento social e polarização - Geekonomics
Opinando

Eleições, comportamento social e polarização

Não se vocês, mas tenho achado bem estranho que as eleições nos EUA estejam causando tanto furor entre nós brasileiros. Uma coisa é estar atento àquilo que acontece num país tão relevante globalmente, outra bem diferente é replicar o revanchismo que tem sido observado naquele país entre Democratas e Republicanos.

É interessante os movimentos globais atualmente onde as notícias chegam instantaneamente de tudo que é lugar do planeta. Essa velocidade além de ter nos transformado em cidadãos globais, no enche de informações e acaba subvertendo o que para as Ciências Comportamentais, costumamos chamar de Rede de Referência.

A rede de referência é constituída por aquelas pessoas ou grupos sociais para os quais nossas ações importam e para as quais nossas decisões e comportamentos são coordenados. Essa coordenação vem do compartilhamento de valores, crenças e do desejo em se coordenar com a rede de referência na qual nos identificamos e desejamos ser reconhecidos como membros.

Em resumo a rede de referência é onde reside nossa identidade de grupo, o que na Ciência Comportamental também é conhecido como comportamento social. É deste comportamento social emerge das normas sociais e as provas sociais que são comportamentos que dependem daquilo que as outras pessoas (rede de referência) fazem ou daquilo que elas esperam que façamos.

Eleições e rede de referência

Acontece que atualmente nossa rede de referência tem sido ampliada. No campo de ideais políticos então, me arrisco a dizer que já temos uma identidade cada vez mais globalizada. Não basta mais apenas tomar conhecimento sobre como está se desenrolando as eleições nos EUA. Somos tragados para o debate e levados a nos comportar como verdadeiros cidadãos estadunidenses.

Até pode ser considerado algo natural, considerando a grande exposição das eleições nos EUA pela mídia, que tomemos partido e que nos envolvamos de alguma forma. Afinal a mídia com sua extensa cobertura, acaba por capturar nossa atenção por bastante tempo.

O que estranha, é estarmos replicando as estratégias os discursos e os vícios políticos daquele país.eleicoes-polarizacao

Ninguém duvida que os EUA tenham tido grande êxito em “colonizar” o mundo com seus valores e que isso de alguma forma tenha transformado a cultura deles numa grande referência para todo o mundo.

Mas tem havido algum exagero na importação dos conflitos e debates políticos vindos dos EUA aqui no Brasil. A replicação da polarização dos EUA no Brasil acaba por negligenciar muito da nossa heterogeneidade ideológica, transformando nosso país tão diverso e aberto a multiculturalidade numa cópia bizarra das mazelas norte americanas.

Claro que muitos dos debates são globais e consequentemente comuns tanto lá nos EUA quanto em muitos outros países. No entanto, pautar o contexto brasileiro transformando-o numa cópia bizarra do contexto estadunidense é um erro.

Um erro porque deixa sem debate ou muito em segundo plano, questões importantes para o contexto brasileiro. É simples perceber como questões importantes para nós têm sido deixadas de lado ou mal mencionadas nos debates políticos por aqui. A extrema pobreza, a falta de infraestrutura básica, como saneamento, água potável e educação, acabam se tornando questões menores.

Este post não tem a intenção de ser uma negação globalista, nem muito menos de defender a negligência com aquilo que acontece na política global. Mas devemos repensar em equilibrar as doses. Afinal replicar o debate é válido, mas desde que este seja calibrado para o contexto local.

Até a próxima Geeks.

About the author

Anderson Mattozinhos

Anderson Mattozinhos

Economista, bookaholic, tecnófilo e jogador inveterado de videogames.

Instagram

Invalid username or token.

Fique Atualizado

Categorias

Gostou desse conteúdo?

Se cadastre na nossa newsletter e não perca mais nada! Receba notícias, novidades sobre Economia Comportamental e atualizações de novos posts.

Você se cadastrou com sucesso!