Ciência Comportamental contra obesidade - Geekonomics
Economia Comportamental

Ciência Comportamental contra obesidade

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A guerra da Ciência Comportamental contra obesidade e para levar as pessoas a consumirem alimentos mais saudáveis parece que foi perdida no Reino Unido. Muitas pesquisas e experimentos evidenciam bons resultados no combate ao consumo de alimentos não saudáveis, simplesmente alterando o contexto em que as pessoas tomam decisões, utilizando Nudges e preservando sua liberdade de escolha.

Uma lei que entra em vigor em abril de 2022 estabeleceu que determinados produtos deverão ser banidos de gôndolas e de locais onde estimulam o consumo por impulso e em excesso. A batalha contra obesidade parece mesmo estar sendo perdida no Reino Unido e no mundo. Estatísticas dão conta de que 63% das pessoas por lá sofrem com obesidade.

A lei prevê que:

Os supermercados na Inglaterra devem ser proibidos de exibir comidas e bebidas não saudáveis nos caixas ou de usá-los em ofertas de compra como por exemplo, aquelas em que o consumidor compra uma e recebe outra de graça, como parte de uma proposta de repressão governamental à obesidade.

As restrições planejadas foram elogiadas por ativistas da saúde como um “primeiro passo ousado” na prometida campanha de Downing Street contra a obesidade. As restrições de check-out se aplicarão a outros locais de aumento de vendas, como entradas de lojas ou no final de corredores.

Regras semelhantes se aplicam a sites, proibindo links de venda de alimentos não saudáveis em locais como homepages, check-out ou páginas de pagamento. Os restaurantes não poderão mais oferecer recargas gratuitas de bebidas açucaradas. (via: The Guardian – traduzido livremente)

Ciência Comportamental contra obesidade e Nudges

Uma das discussões mais críticas à eficácia dos Nudges está no fato de que com o passar do tempo, as pessoas aprendem a evitá-los ou simplesmente passam a ignorar arquitetura de escolha presente e que leva ao comportamento desejado.

Alguns pesquisadores inclusive já sugerem que após certo tempo de implementação, os Nudges passem de simples empurrão para uma regra clara como esta que o Reino Unido aprovou para os alimentos.

Uma ação parecida aconteceu no Brasil com adoção da lei que obrigava o uso do cinto de segurança. Num passado não tão distante assim na história brasileira, a cultura de uso do cinto de segurança não era aquela que predominava entre os motoristas do país.

Várias campanhas foram feitas, o tipo de cinto de três pontas foi normatizado como obrigatório para carros vendidos no país, e propagandas alardeavam que a partir de determinada data, multas seriam aplicadas àqueles que circulassem sem o cinto de segurança.

Lembro muito bem dos meus pais reclamando do incomodo dos cintos, do absurdo e exagero de obrigar seu uso inclusive nos centros urbanos. À época meus pensavam ser necessário o uso de cinto apenas em viagens e estradas, mas que seria excesso de zelo obrigar o uso na cidade.

A estratégia deu certo, hoje em dia, pelo menos aqui em casa, não se discute mais o uso do cinto. A norma agora é uso de cinto sempre que entramos no carro. Não há mais resistência ao comportamento.

Se a mudança foi possível apenas com a ameaça de punições e criações de leis que obrigam as pessoas a adotarem certos comportamentos eu não sei. Se me pedissem para arriscar um palpite eu diria que sem a normativa não teria sido possível a mudança, pelo menos não no tempo em que esta do cinto de segurança foi implementada.

Esses são os desafios dos Nudges. Além de em alguns casos eles serem efêmeros e ter data de validade em relação à sua eficácia, algumas vezes eles podem levar a mudanças de comportamento mais lentas e que pela sua característica de preservar a liberdade de escolha e serem fáceis de evitar, acabem levando tempo demais para se tornarem normas sociais.

 Ciência Comportamental contra obesidade lições recentes e futuro

Não me entenda mal. Não estou aqui a defender que os Nudges não sejam importantes ou que eles simplesmente não devam ser considerados como importante ferramenta de mudança de comportamento.

Cientistas Comportamentais como outros profissionais e pesquisadores, tendem a ser apaixonados por suas ideias e isso não é nenhum crime, muito menos algo que tenham que se envergonhar. Evitar a precipitação, como aquela em que o Governo do Reino Unido saiu em defesa apenas de ações baseadas em Ciências Comportamentais para combate ao COVD-19, no entanto, é preciso.

Doses de humildade e diversidade de opiniões devem sempre estar postas à mesa quando o assunto é comportamento humano. A Ciência Comportamental não é uma ciência de certezas ou regras como o são as Ciências Naturais. Como bem disse Rory Sutherland:

“A Ciência Comportamental tal como a Biologia, é a Ciência da Exceção.”

Portanto, as restrições impostas no Reino Unido, mesmo às custas de alguma restrição à liberdade de escolha e aumento do paternalismo do Estado, são necessárias. Isso sem falar que o marketing age nesse cenário com uma espécie de contrainteligência, pois utiliza do conhecimento e descobertas da Ciência Comportamental para levar as pessoas a consumirem além da conta e decidirem em clara oposição aos seus melhores interesses.

A guerra contra o açúcar segue com vítimas mais substanciais do que qualquer outra. Como disse Yuval Noah Harari em seu Livro XXI Lições para o Século XXI: O açúcar mata hoje mais do que qualquer coisa.

O recado final é que em se tratando de comportamento, as Ciências Comportamentais têm respostas para o bem e para o mal, mas ela não tem todas as respostas. Ambientes e situações complexas demandam conhecimento diverso para integrar soluções que alcancem os resultados desejados em todas as esferas, não apenas na comportamental.

Com essa consciência as Ciências Comportamentais certamente têm muito a contribuir e certamente será um dos pilares científicos para soluções complexas que envolvem mudança de comportamento.

Até a próxima Geeks!

Referências

Notícia do The Guardian – LINK AQUI

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Anderson Mattozinhos

Anderson Mattozinhos

Economista, bookaholic, tecnófilo e jogador inveterado de videogames.

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