Características que as ideias escaláveis devem possuir - Geekonomics
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Economia Comportamental

Características que as ideias escaláveis devem possuir

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Características que as ideias escaláveis devem possuir para reduzir as chances de fracasso.

Por trás da crise de replicabilidade há ainda uma questão que tem recebido pouca atenção daqueles que estudam, se interessam ou pesquisam Economia Comportamental: a escalabilidade de insights e experimentos.

Pesquisas muitas vezes não abrangem grandes amostras e isso é natural. Afinal de contas, amostragem é o que viabiliza na grande maioria dos casos, que haja alguma pesquisa. Seja pelos custos financeiros, seja pela rapidez de sua implementação.

Mas não há como negligenciar, que resultados obtidos em pesquisas, quando aplicados em grandes escalas ou quando se tornam pontos centrais de implementação de políticas públicas, devem ser avaliados com cautela.

Nem todo experimento terá sucesso ou replicará os resultados de pesquisas. Isso seja porque o contexto nunca é neutro ou porque ao pensar em aplicar em grande escala, outros fatores além do objeto de pesquisa em si, devem ser cuidados.

John A. List no último Behavioural Economics Guide de 2021, trouxe essa reflexão e estabeleceu o que chamou de Big Five, ou os cinco fatores que devem ser observados para a escalabilidade de insights produzidos pela Economia e Ciência Comportamental.

Características que as ideias escaláveis devem possuir

1 – O problema da inferência

List reflete quanta evidência devemos ter antes de escalar uma pesquisa em Economia Comportamental? Segundo ele pelo menos três a quatro replicações com sucesso devem ser feitas para garantir uma maior chance de sucesso ao escalar uma intervenção comportamental. É interessante que neste ponto, a replicabilidade dos estudos é ao mesmo tempo, a chave para aumentar as chances de sucesso quando se pretende escalar uma intervenção comportamental e um dos maiores desafios deste mesmo campo da Ciência Social.

Não segredo que a uma das críticas mais frequentes à Economia Comportamental é que seus estudos tem baixa ou nenhuma replicação. Uma crítica sóbria, afinal dada a complexidade da pesquisa social, replicabilidade é sem dúvida necessária para consolidar os achados como conhecimento.

Sem replicarmos os estudos, estaremos sempre sob o risco do falso positivo e mesmo com baixos custos de implementação de determinadas intervenções comportamentais, há riscos de perda de credibilidade, decisões enviesadas e muitos outros estresses quando se escala uma intervenção e ela foi baseada num falso positivo. Sem falar na perda de tempo, não é mesmo?

2 – A representatividade da população

Intervenções quando implementadas em grande escala, podem sofrer com mudanças substanciais no perfil da nova população onde o insight comportamental é aplicado. Isso porque amostras ne sempre captam a complexidade sócio, econômica e cultural existente em determinada região.

Dessa forma, representatividade dos sujeitos da pesquisa original que se deseja escalar pode ser consideravelmente diferente daquela para qual se escalou a intervenção. Mais uma vez aqui, outro calcanhar de Aquiles aparece. Também é objeto de crítica o fato de que muitas pesquisas são realizadas com alunos de universidades e que esta amostra por si só já limita a descoberta, considerando o risco de baixa representatividade dos alunos quando comparados à população em geral de uma localidade.

É simples perceber essa limitação, apenas se pararmos para pensar na formação educacional, no contexto social e econômico diferente entre gerações, suas preferências, crenças e claro suas idades.

3 – A representatividade da situação

Em pesquisas sociais existem dois tipos de representatividade: a de população e a de situação. A de população costuma ser mais comumente abordada, isso não é verdade quando pensamos na representatividade da situação.

Podemos pensar na representatividade da situação como o reconhecimento de que o contexto nunca é neutro. Ao escalar uma intervenção comportamental, em geral, se os resultados originais dependem de contexto específico, ou como cita List, se acontecem num “ambiente político específico” podemos esperar que haja mudança dos resultados quando a intervenção é aplicada e escala.

Ainda segundo List, ele reforça que:

“Esta terceira razão por trás dos efeitos de tensão é geralmente causada por não entender que o sucesso inicial dependia de ingredientes não escaláveis – circunstâncias únicas que não podem ser replicadas em escala.”.

4 – Efeitos de rede (transbordamentos)

O sucesso de intervenção em determinado grupo pode causar efeitos adversos e outros grupos, levando-os a que na psicologia é conhecido como “resentful demoralization”. Já os economistas costumam chamar de efeitos de equilíbrio geral.

Em resumo, tanto o “resentful demoralization” como os efeitos de equilíbrio geral, servem para descrever situações presentes quando se escala intervenções comportamentais, que não são verificadas ou não se manifestam quando a aplicação da intervenção acontece em pequena escala.

5 – Economias ou deseconomias de escala

Algumas variáveis relacionadas aos experimentos simplesmente podem apresentar deseconomia de escala. Isso significa que quando mais a intervenção escala, mais caro vão ficando os recursos para implantá-la.

Deseconomias de escala podem inviabilizar que certas intervenções comportamentais se viabilizem em dimensões muito maiores do que quando pesquisadas em amostras pequenas.

Saber e analisar a estrutura de custos é tão importante quanto avaliar os benefícios da intervenção comportamental que se está planejamento escalar.

Estas cinco características simples quando não observadas, podem inviabilizar intervenções comportamentais. Entender e estar atento a estes detalhes, pode não apenas evitar esforços e surpresas desagradáveis na implementação de projetos, como pode livrar Economistas E Cientistas Comportamentais de constrangimentos.

Este post foi baseado no artigo de John A. List, publicado no Behavioural Economics Guide 2021.

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Anderson Mattozinhos

Anderson Mattozinhos

Economista com MBA em Economia Comportamental, já atuou como Professor na ESPM-SP, é empresário do setor de saúde, podcaster e idealizador do Geekonomics PodCast e site. Nas horas vagas divide seu tempo entre leitura de livros e games.

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