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Economia Comportamental

IPCA-15: expectativas e efeitos comportamentais

IPCA-15: expectativas e seus efeitos comportamentais

💥O IPCA-15 é um dos índices que mede a inflação brasileira. Ele possui a mesma metodologia de cálculo do IPCA, porém difere no período de coleta.

Ao contrário IPCA, o índice IPCA-15 de a inflação compreendida entre os dias 16 e 15 do mês de referência e, portanto, serve como uma prévia para o IPCA. Mas será que é só isso?

Sabemos que as pessoas, mesmo aquelas que entendem pouco ou quase nada de economia, acabam formando suas expectativas com base nas informações que recebem diariamente e na percepção do contexto em que estão inseridas.

Acontece que atualmente os veículos de comunicação estão muito desenvolvidos e que as notícias chegam quase que instantaneamente ao conhecimento das pessoas, os efeitos da divulgação do IPCA-15 podem extrapolar os objetivos de monitoramento da inflação no país.

Como toda divulgação e alarde para os resultados da inflação medidos pelo índice, a função de monitoramento pode extrapolar e apresentar impactos comportamentais.

IPCA-15 e formação de expectativas

Sabemos que em geral a formação de expectativas e a tomada de decisões sofre a influência do contexto. O contexto quando analisado ao nível dos indivíduos, reflete o cotidiano de cada pessoa, suas finanças pessoas, sua cultura, o local em que vive, crenças e a relação do a comunidade.

O contexto individual, no entanto, não está imune ao comportamento do que em Economia Comportamental chamamos de rede de referência. Esta rede de referência é o conjunto de pessoas que, a depender do assunto e do contexto, fazem a diferença para a formação de nossas expectativas, comportamentos e decisões.

Então quando formamos nossas expectativas, ponderamos em maior ou menor intensidade nossas experiências individuais e os sinais que nossa rede de referência emite relativo àquele assunto ou contexto para o qual estamos formatando nossas decisões ou formando nossas expectativas.

Enquanto escrevo este post, o IBGE (Instituto de Geografia e Estatística) acabou de divulgar o resultado do IPCA-15 do mês de abril de 2022.

ipca15 ancora expectativas grafico ibge

O índice apresentou uma elevação expressiva, indicando que a inflação medida para o mês de referência deve ser uma das maiores desde a implantação do Plano Real. Péssima notícia para todos, em especial para aqueles que têm renda mais baixa.

Os impactos do IPCA-15 no comportamento

Sendo uma prévia do índice de inflação para o mês de referência, o IPCA-15 pode causar efeitos comportamentais nas pessoas, deixando-as mais pessimistas, cautelosas e ansiosas, quando os resultados apontam, como agora em abril de 2022, para elevação na inflação.

Mas como isso pode estar acontecendo?

Em Economia Comportamental pesquisas já bem consolidadas, encontraram um viés cognitivo que recebeu o nome de Ancoragem. Funciona assim, resumidamente:

A exposição inicial a um número serve como ponto de referência e influencia os julgamentos subsequentes.

A divulgação do IPCA-15 elevado, não apenas pode levar as pessoas a se comportarem de forma mais pessimista e com maior cautela em seus gastos, como também interferir nas decisões de formadores de preços, vendedores e comerciantes, levando-os a elevarem os preços baseados na âncora e não com base em suas estruturas de custos e disponibilidade de estoques.

Em tese, não pode ser considerado razoável que haja aumento de preços quando há estoques que foram produzidos com custos menores, antes dos efeitos inflacionários, muito menos que haja aumento de preços de produtos que foram comprados a preços menores.

Na prática, porém, o que vemos são postos de gasolina se ancorando na inflação e nos preços do petróleo, mesmo antes dos efeitos de aumento nos preços impactarem seus custos de aquisição. Há nessas práticas uma antecipação motivada pela âncora, seja o IPCA-15 ou para o caso dos postos de combustíveis, o preço do petróleo.

O final disso já sabemos: demora para acomodação dos índices de preço, profecias autorrealizáveis alimentadas pelas âncoras de preços e rigidez dos preços para baixo, pois parece que as âncoras relacionadas a preços, só atuam para elevar preços, nunca para fazê-los baixar.

About the author

Anderson Mattozinhos

Anderson Mattozinhos

Economista com MBA em Economia Comportamental, já atuou como Professor na ESPM-SP, é empresário do setor de saúde, podcaster e idealizador do Geekonomics PodCast e site. Nas horas vagas divide seu tempo entre leitura de livros e games.

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